Por: Clariana Grosso
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@psicologaclariana
Crescer faz parte da vida. Com o passar dos anos, assumimos responsabilidades, enfrentamos desafios, lidamos com cobranças e aprendemos a cumprir as exigências do mundo adulto. Mas em meio a tantos compromissos, muitas vezes deixamos para trás algo precioso: a capacidade de brincar, criar, rir sem motivo e nos encantar com as pequenas coisas da vida.
Manter viva a criança que existe em nós não significa fugir das responsabilidades ou deixar de amadurecer. Significa compreender que a maturidade também pode caminhar ao lado da espontaneidade, da curiosidade e da alegria de viver.
A infância nos ensina a experimentar o mundo sem a necessidade de ter todas as respostas. A criança transforma uma caixa em castelo, inventa histórias, faz perguntas e encontra diversão nas coisas mais simples. Já na vida adulta, frequentemente nos preocupamos tanto com resultados, produtividade e aprovação que perdemos a liberdade de experimentar, errar e simplesmente aproveitar o momento.
Do ponto de vista psicológico, preservar essa espontaneidade é também uma forma de cuidar da saúde emocional. A criatividade nos permite encontrar novas possibilidades diante das dificuldades; o brincar favorece o relaxamento; e o riso pode aliviar as tensões do cotidiano. São experiências que nos ajudam a sair, ainda que por alguns instantes, do excesso de preocupações e obrigações.
Mas como manter essa leveza em meio à rotina? Talvez o primeiro passo seja permitir-se fazer coisas sem uma finalidade produtiva: ouvir uma música de que gostamos, dançar pela casa, desenhar, brincar com os filhos, caminhar ao ar livre ou reencontrar um antigo hobby. Também é importante cultivar a curiosidade, rir de si mesmo, aceitar que nem tudo precisa ser perfeito e reconhecer que descansar não é perder tempo.
A vida adulta nos convida a desenvolver responsabilidade, mas não precisa nos afastar do prazer. Podemos ser comprometidos sem sermos excessivamente rígidos, maduros sem perder a sensibilidade e conscientes das dificuldades sem deixar de reconhecer a beleza dos pequenos momentos.
Talvez a verdadeira maturidade esteja justamente em conseguir acolher as diferentes partes de quem somos: a pessoa que sabe enfrentar os desafios e aquela que ainda se encanta com uma descoberta, uma brincadeira ou um gesto de carinho.
Imagem criada com a ajuda da IA
Sou Clariana Grosso, psicóloga clínica e perinatal, com experiência em atendimentos clínicos há 20 anos, sou colunista aqui no Portal Som de papo e participo da Ong Maio Furta Cor (Sobre saúde mental materna). Atendo através da abordagem psicanalítica.



