Por Daniela Gurgel
@danigurgel.psicanalista
Descrito como algo sublime e incondicional, o amor de mãe é uma espécie de amor sem limites, impossível de ser medido.
Falar do amor de mãe, é tocar uma dimensão sensível da alma. É remeter ao primeiro olhar que nos olhou ou talvez o primeiro olhar que nos faltou.
A psicanálise compreende esse amor materno como algo profundo e humano por ser o primeiro laço afetivo da nossa existência, por ser um tipo de amor que vai muito além do que é visível.
E ao longo de nossa existência acabamos experimentando várias nuances desse amor. Nuances que vão desde aquele amor que cuida, acolhe, protege, mas que também por ser humanizado carrega falhas, ausências e limites.
E exatamente nesse ponto entre o que existiu e o que talvez faltou, que nossa memória emocional vai se construindo. Sendo assim, quando falamos de “mãe”, nos remetemos a uma vivência emocional que sempre continuará viva dentro de cada um de nós.
Há quem celebre com alegria o dia das mães, há quem sinta saudade, há quem carregue mágoas e dor ao nível de sentir culpa em não conseguir celebrar essa data especial. Mas, está tudo bem…
Como a psicanálise não atua no campo da moralidade, mas sim no campo da verdade do sujeito e do inconsciente, não há sentimento errado quando esse sentimento é real e verdadeiro. Na perspectiva psicanalítica, não somos formados somente pelas vivências adquiridas, mas também pelo impacto da falta.
De fato, a maior dimensão do amor de mãe talvez não esteja na sua perfeição, mas sim na consequência emocional que ele deixa marcado em nós. E compreender a dimensão desse amor, também é uma forma de autocuidado e respeito.



