Por Jéssica Monteiro Lima
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Quando falamos em gestação, parto e pós-parto, é comum que o olhar se volte principalmente para a mulher. Afinal, é o corpo dela que se transforma, é ela quem gesta e, muitas vezes, quem assume os cuidados iniciais mais intensos com o bebê.
Mas será que a psicologia perinatal é apenas para a mãe?
A psicologia perinatal é o campo que olha para os aspectos emocionais envolvidos no desejo de engravidar, na gestação, no parto e no pós-parto. E, embora a mulher esteja no centro dessa experiência, ela não está sozinha. O nascimento de um bebê transforma também o parceiro, o casal e a dinâmica familiar.
A ciência tem ampliado esse olhar. Estudos mostram que pais também podem apresentar sofrimento emocional durante o período perinatal. A chamada depressão perinatal paterna, por exemplo, pode ocorrer durante a gestação ou no primeiro ano após o nascimento do bebê, com sintomas semelhantes aos observados nas mulheres, como tristeza persistente, ansiedade, fadiga e dificuldade de concentração.
Além disso, estudos mostram que a saúde mental de um parceiro está diretamente relacionada à do outro. Quando um dos membros do casal apresenta sofrimento emocional, o outro também pode ser impactado, o que reforça a importância de um olhar para a família como um todo.
A chegada de um bebê representa uma das transições mais significativas da vida. Para o pai, podem surgir sentimentos como ansiedade em relação às responsabilidades, medo de não saber cuidar, preocupação financeira, mudanças na relação conjugal e dificuldade em encontrar seu lugar nessa nova dinâmica. Muitas vezes, esses sentimentos não são verbalizados, pois ainda existe uma expectativa social de que o pai seja apenas o suporte, e não alguém que também participa e que precisa de cuidado.
O casal também atravessa mudanças importantes. A rotina se transforma, o sono muda, as prioridades se reorganizam e o tempo a dois pode diminuir. Essas alterações podem gerar conflitos, afastamento ou dificuldades de comunicação. Trabalhar essas questões preventivamente pode contribuir para relações mais saudáveis e um ambiente emocionalmente mais seguro para o bebê.
Oferecer um espaço de escuta para o casal permite que medos, expectativas e inseguranças sejam compartilhados. Muitas vezes, quando cada um vive suas emoções de forma isolada, surgem interpretações equivocadas, como a ideia de que o outro não está sofrendo ou não está envolvido. A comunicação aberta pode fortalecer o vínculo e favorecer o apoio mútuo.
Quando olhamos para a saúde mental perinatal, não estamos falando apenas do bem-estar individual, mas também da qualidade das relações familiares e do desenvolvimento emocional do bebê. Um ambiente em que ambos os cuidadores se sentem apoiados tende a favorecer vínculos mais seguros e uma adaptação mais tranquila às mudanças.
A psicologia perinatal também se estende a outras experiências, como dificuldades para engravidar, perdas gestacionais, internações neonatais e adaptações após o nascimento. Nessas situações, o impacto emocional não é vivido apenas pela mulher, mas também pelo parceiro e pela família.
A psicologia perinatal, portanto, não é apenas para a mãe. Ela é para o pai, para o parceiro, para o casal e para a família. É um espaço de cuidado que reconhece que o nascimento de um bebê transforma todos ao redor e que todos também podem precisar de acolhimento nesse processo.
Cuidar da saúde mental perinatal é proteger as bases do desenvolvimento psíquico do bebê e o bem-estar emocional da família.
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



