Por: João Vitor Neves de Oliveira
Instagram: @vjoao_neves
A cultura rica do futebol brasileiro já apresentou diversas soluções dentre as quatro linhas O drible genial, o futebol ofensivo e a improvisação como formulas de solução que acompanham a identidade do futebol brasileiro, mas com o passar dos anos, o futebol brasileiro ganhou uma cultura repentina, o excesso de demissão de treinadores.
No Campeonato Brasileiro de 2025, 21 técnicos deixaram seus cargos. Já nesta temporada, até a 16ª rodada, 11 treinadores foram demitidos. Os números levantam diversos questionamentos, mas talvez o principal deles seja justamente o mais conveniente de todos: a culpa realmente está apenas no treinador?
Esse pensamento interessa diretamente a dirigentes e gestores. Afinal, trocar o técnico oferece uma resposta rápida para a torcida, cria a sensação imediata de mudança e, muitas vezes, protege questionamentos que deveriam alcançar setores muito além das quatro linhas.
O exemplo mais recente foi a saída do técnico gaúcho Róger Machado do São Paulo. A equipe vivia um início competitivo sob o comando do argentino Hernán Crespo, mesmo convivendo com dificuldades políticas e administrativas envolvendo a antiga gestão de Júlio Casares. Ainda assim, a nova administração do clube decidiu interromper o trabalho, aumentando a pressão sobre um treinador que chegou carregando desconfianças provocadas por decisões tomadas acima dele.
No futebol brasileiro, críticas costumam parar no banco de reservas. Os olhos quase sempre se voltam para quem comanda o time em campo, enquanto dirigentes responsáveis pelas escolhas estruturais permanecem fora do centro das cobranças. E essa reflexão está longe de ser isolada.
O técnico espanhol Pep Guardiola já afirmou que, quando um clube troca constantemente de treinador, talvez o problema esteja justamente em quem escolheu esses treinadores.
O futebol é um esporte cheio de variáveis, cenários e contextos diferentes. Reduzir todos os problemas de um clube à figura do treinador talvez seja a solução mais simples — mas dificilmente a mais honesta.
Demissões fazem parte do futebol e continuarão acontecendo. O problema começa quando elas deixam de representar convicção e passam a funcionar apenas como ferramenta para esconder erros de planejamento, decisões mal executadas e gestões sem direção clara.



