Por Alexandre Angélico
Matemático e Economista
Crédito vem do latim creditum, que significa “aquilo que foi confiado”. É da mesma raiz de crer, acreditar e credibilidade. Isso revela algo essencial: crédito é, antes de tudo, confiança. Alguém acredita que você vai devolver o que recebeu. Toda a economia moderna funciona assim; não só com dinheiro, mas com reputação, responsabilidade e promessa de pagamento. Sem confiança, não existe crédito; sem crédito, não existe banco.
É comum imaginar bancos como cofres cheios de dinheiro. Na prática, eles funcionam como fábricas de crédito. Tudo começa com os depósitos: salário, poupança, dinheiro que pessoas e empresas guardam. Esse é o dinheiro “real” que entra no banco, mas ele não explica sozinho como os bancos conseguem emprestar tanto. A parte mais surpreendente é que, quando um banco aprova um empréstimo, ele cria dinheiro novo.
Se alguém pede R$1.000,00 o banco não precisa pegar esse valor de outro correntista; ele simplesmente registra R$1.000,00 na conta do cliente. Esse dinheiro passa a existir no sistema financeiro e é chamado de moeda escritural, porque vive nos computadores, não em papel.
Mas se o banco pode criar dinheiro, por que não faz isso infinitamente? Porque isso destruiria o próprio sistema. Se os bancos criassem dinheiro sem limite, haveria muito dinheiro circulando para poucos produtos disponíveis e os preços explodiriam. Para evitar isso, o Banco Central regula o setor, atuando como o “adulto responsável”: define quanto dinheiro pode ser criado, fiscaliza riscos e empresta recursos quando um banco precisa de liquidez. Além disso, investidores também emprestam dinheiro aos bancos ao comprar CDBs, LCIs e outros títulos. O banco usa esses recursos para operar e lucrar com juros, tarifas e serviços. Esse lucro vira capital próprio, aumentando sua capacidade de emprestar.
No fim das contas, banco não empresta dinheiro que tem guardado: ele empresta o dinheiro que pode criar, desde que as pessoas acreditem nele!
Alexandre Angélico
@alexandreangelico
Alexandre Angélico é Matemático e Economista formado pela USP e Mestre em Economia dos Mercados pelo Mackenzie.



