segunda-feira, agosto 2, 2021
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Amarrissagem na Riberia

Por Angelica Schianta

Nos anos de 1940 a “amarrissagem” dos hidroaviões era um evento bastante instigante, especuloso, e admirado, no Canal da Penha ou no Canal da Ribeira, na Península Itapagipana, na cidade de Salvador, da Bahia. Esses aviões costumavam descer sempre do lado externo para a parte interna, jamais o inverso. Do ponto em que estava o sinalizador até a Marina da Penha e o hidroporto a sua distancia era de 2.572 metros, esse era o “palco” desse espetáculo de manobras e descidas. Bastava que se ouvisse o som da aproximação de um desses equipamentos para se perceber a vinda acelerada de grande público para acompanhar essas amarrisagem, – termo designado para denominar o pouso dos aviões no mar. Já pouso de aeronave em terra é conhecido por aterrissagem.


Tendo em vista a missão de patrulhamento da borda atlântica em defesa de eventuais submarinos inimigos, o hidroaeroporto da Riberira iniciou seu funcionamento em 1932, tendo somente dois trapiches para manutenção dos equipamentos. Para os usuários somente foi liberado seu acesso em 1937 e, a partir do dia 18 de maio de 1939, motivado pelos americanos instalados em Salvador, no contexto da II guerra mundial.
O terminal de aeronaves de Salvador, construído em 1925, por obra do engenheiro francês Paul Vachet, pela “Compaigne Generale d’Enterprise Aeronautique Latecoère”, tinha, pois, uma acanhada pista de grama. Em 1943 houve a primeira ampliação com novos hangares, pistas mais largas e asfaltadas, outras reformas se sucederam até o nosso atual Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães. Destacamos, então, que o hidroporto da Ribeira foi o segundo aeroporto da capital baiana.
Pesquisas dão conta de que nas proximidades de onde hoje está esse hidroporto, em estilo “Art Déco”, projeto do arquiteto Ricardo Antunes, foi edificado em 1922 um píer em madeira, que teve a função de dar guarida para a 1ª viagem do Almirante Gago Coutinho no Atlântico Sul. Este atracadouro também serviu de apoio para abastecimento dos hidroaviões da antiga companhia Nyrba a qual se tornou a Panair do Brasil que fazia a rota Santos-Belém.

Antigos frequentadores relatam que as instalações eram bastante luxuosas, com saguão, espaço de bagagens, guichés reservados para as empresas aéreas, restaurante-bar, enfim toda a infraestrutura para atender com conforto os passageiros, tripulantes, funcionários e comunidade em geral. A ponte de atracação tem um inusitado formato em Y.

Para se iluminar o lugar à noite onde as aeronaves desceriam, se formava uma fileira de canoas com tochas bem acesas. Note-se que sendo um lugar, em cujo perimetro estavam veranistas, banhistas, velejadores, catraieirosetc., acionavam-se sirenes alertando da aproximação dos aviões.
Sua decadência ocorreu no período de 1943, em razão da grande ampliação do aeroporto de Salvador, sendo, portanto, desativado por falta de utilização. Seu espaço foi ocupado por um tempo pela sede da Associação dos Radioamadores (LABRE), e em seguida, pelo Clube dos Sargentos da Marinha e sucedido por outros usos, a exemplo da ocupação atual por uma loja de equipamentos naúticos.

Caro leitor, do Som de Papo, você já visitou antigos aeroportos, estações de trem ou mesmo um hidroaeroporto? Dê a sua opinião, sua participação é importante, bem como sugestões de temas para nossa coluna. Até a próxima!
Angelica Schianta é Artista Plástica, Arquiteta, Urbanista e Conservadora de Bens Culturais.
@angelica_schianta
@turmalina_estudio

Legenda das fotos:
Imagem capa: Amarrissagem I Foto: Memórias da Bahia
Imagem 01: Hidroavião I Foto: História cidade baixa
Imagem 02: Sede do hidroporto I Foto: História cidade baixa
Imagem 03: Vista áerea ponte de atracação I Foto: História cidade baixa
Imagem 04: Foto atual I Foto: Um olhar sobre a Ribeira

Fontes de pesquisa:
www.planetamemoria.com/brasil/ba/salvador-ba/hidroporto-dos-tanheiros
www.leiamaisba.com.br
www.google.com.br/maps
www.piersalvador.blogspot.com
www.salvadorhistoriacidadebaixa.blogspot.com
www.umolharsobrearibeira.blogspot.com

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