Por Fabiana Ribeiro
@fabianaribeirodos805
É correto afirmar que atualmente, por vezes, não conseguimos compreender nossos sentimentos. Não encontramos palavras para descrever, porém as sensações acontecem e trazem desconfortos. Você já percebeu seu coração acelerar, algo que descrevemos comumente como um aperto no peito, uma inquietação que não passava, pensamentos que chegam sem pedir licença e pareciam correr mais rápido do que você conseguia acompanhar?
E quando alguém lhe pergunta o que você está sentindo: Você simplesmente não sabe explicar?
Neste percurso como professora e terapeuta tenho observado que muitas vezes antes de contar uma história a pessoa precisa encontrar uma forma para aquilo que está sentindo. Às vezes esta forma surge em uma linha, em uma cor escolhida de forma intuitiva, em um desenho, em uma colagem, na força colocada sobre o papel ou até mesmo no silêncio que acompanha o processo de criação. Pois, por vezes o sofrimento não encontra uma narrativa organizada e é justamente neste lugar que a Arteterapia encontra espaço de atuação.
Estamos vivenciando tempos de urgências, de muitas exigências, de modo que, precisamos responder rapidamente a estas exigências, produzir, planejar, decidir, acompanhar, antecipar, e a tendência é sempre olhar para o que precisa ser feito e para o amanhã, tendo a sensação de que precisamos fazer mais e pensando em problemas que ainda não ocorreram e que não estamos certos de que ocorrerão. É neste cenário que muitas pessoas encontram dificuldades de permanecer no presente.
A ansiedade tem sido uma das grandes questões de nosso tempo. No entanto, esta, por si só, faz parte da experiência humana, pois, nos alerta, nos prepara e nos mobiliza diante de situações desafiadoras ou ameaçadoras. O sofrimento aparece quando este estado de alerta se torna intenso, persistente e começa a interferir na qualidade de vida, nas relações, no trabalho, no sono e na possibilidade de viver o presente.
De acordo com a OMS, os transtornos de ansiedade são os transtornos mentais mais comuns no mundo. Em 2021, aproximadamente 359 milhões de pessoas viviam com algum transtorno de ansiedade. Importante ressaltar que o Brasil é o primeiro no mundo em Ansiedade e o segundo em números de Depressão. Estes dados nos levam a pensar nestas questões com seriedade e humanidade, ampliando o olhar para os espaços de cuidado e para as possibilidades de acolhimento.
Na Arteterapia, nem tudo precisa ser explicado de forma imediata, a incompreensão e o silêncio causados pela ansiedade são respeitados e é a experienciação que permite o despertar da consciência e o entendimento acerca das emoções. A American Art Therapy Association define a arteterapia como uma profissão da saúde mental que integra o fazer artístico, o processo criativo, conhecimentos psicológicos e a relação terapêutica. Sendo que nesse contexto a utilização da arte, oferece possibilidades de expressão especialmente importantes quando a linguagem verbal não é suficiente para comunicar determinadas experiências (American Art Therapy Association, 2026).
Enquanto o processo de criação ocorre, o que nos parece confuso começa a ganhar contornos. Aquilo que estava disperso começa a ganhar forma e aos poucos, tornar se uma imagem que podemos olhar e explicar, dar sentido.
A ansiedade tende a nos levar para o futuro, enquanto a Arteterapia auxilia a pessoa a se manter no presente, a retornar para o agora, para o movimento que está sendo realizado.
A arteterapia não irá fazer os pensamentos ansiosos desaparecerem, mas vai criar possibilidades de enxergar a mesma de outra forma, pois através do desenho, da pintura, da escultura, observa-se uma nova forma de colocar o que está dentro para fora e o tornar compreendido. O processo criativo, como já explicado no texto sobre a Arteterapia e Neurociências, oportuniza a diminuição significativa do Cortisol, e oportuniza uma sensação de relaxamento e bem-estar, além de descobertas de aspectos pessoais não observáveis anteriormente. O ato de criar envolve corpo, percepção, emoção e processos fisiológicos, proporcionando regulação emocional, regulação do estresse e regulação cognitiva. No entanto, há ainda necessidade de descobertas e pesquisas acerca da possibilidade de cura da ansiedade pela Arteterapia. Mas, o que posso afirmar como Arteterapeuta, é que nas sessões é possível levar o paciente à compreensão de que ele não vai conseguir controlar tudo, porém irá descobrir maneiras de responder aos acontecimentos de forma mais assertiva e positiva.
Convém ressaltar, que é importante, se necessário o acompanhamento com médicos, psicólogos e fármacos, pois a Arteterapia atua de forma complementar, a estes tratamentos. Porém, a Arteterapia oferece algo especial em relação à outros tratamentos, ela oferece uma outra linguagem, a que não necessita de respostas imediatas, não obriga a encontrar palavras certas, sentir antes de explicar e criar antes de compreender, olhando para a criação com curiosidade, cuidado e respeito.
Fabiana Ribeiro, pedagoga, psicopedagoga, Neuroeducadora, Arteterapeuta, pós graduanda em Psicologia ativa, gestão de pessoas e saúde no trabalho, Ludicidade e Artes e Análise do Comportamento ABA, graduanda em Terapia Ocupacional, radialista, apresentadora do Podcast “Entre Elas e Saberes” da Rede Tríade TV, palestrante e proprietária do Espaço Terapêutico Essêntia.



