Por João Costa Bezerra
@psi.joaocosta
A Copa do Mundo é um dos eventos mais marcantes da cultura brasileira. Durante esse período, é comum que as emoções fiquem mais intensas. A expectativa pelos jogos, a esperança pela vitória e o envolvimento com a seleção podem gerar momentos de alegria, união e entusiasmo, mas também podem despertar ansiedade, frustração, decepção e estresse.
A ansiedade surge quando nossa mente se volta excessivamente para aquilo que ainda não aconteceu. Pensamos nos possíveis resultados, imaginamos cenários e tentamos prever o futuro. Durante a Copa, esse movimento pode se intensificar à medida que os jogos se aproximam e a expectativa aumenta.
O sofrimento tende a aumentar quando a rigidez toma conta e a dicotomia se faz presente, ou seja, quando passamos a enxergar as situações pelo filtro do “tudo ou nada”. Quando cultivamos essa forma rígida de pensar e a derrota acontece, a tendência é que, as emoções se intensifiquem, levando a sentimentos de tristeza, irritação ou desânimo de maneira mais acentuada.
Essas emoções são naturais, especialmente quando existe uma forte identificação emocional com o evento. No entanto, é importante reconhecer que nem tudo está sob nosso controle. Podemos torcer, acompanhar, apoiar e viver a experiência, mas os resultados finais não dependem apenas de nós. Compreender essa diferença ajuda a reduzir o sofrimento gerado por expectativas excessivas.
Diante de emoções intensas, algumas pessoas tendem a buscar formas rápidas de aliviar o desconforto emocional, porém nem sempre saudáveis, como o isolamento, o consumo excessivo de álcool ou comportamentos impulsivos. Embora possam proporcionar um alívio momentâneo, essas estratégias geralmente não resolvem o desconforto emocional e, muitas vezes, acabam gerando novas dificuldades.
Uma forma saudável de lidar com essas emoções é nomear e reconhecer aquilo que sentimos. Identificar as sensações físicas associadas à ansiedade, à frustração ou à decepção pode nos ajudar a compreender melhor nossa experiência emocional. Conversar com pessoas de confiança e manter contato com vínculos que transmitam segurança e acolhimento também são recursos importantes nesse processo.
Além disso, preservar uma rotina equilibrada, cuidar do sono, da alimentação e reservar momentos de descanso são atitudes que favorecem a regulação emocional. Mesmo diante da empolgação ou da tensão que acompanham a competição, manter hábitos saudáveis contribui para que possamos atravessar esse período com mais equilíbrio.
Cuidar da saúde mental durante a Copa significa permitir-se viver a experiência de forma plena, sem perder de vista aquilo que sustenta nosso bem-estar. Torcer, vibrar, comemorar e até se frustrar fazem parte do esporte e da experiência humana. O desafio está em acolher essas emoções sem permitir que elas assumam o controle de nossas vidas.
Quando a ansiedade surgir, vale a pena fazer uma reflexão: estou focando apenas no resultado que não posso controlar ou também nos recursos que possuo para lidar com qualquer resultado que venha?
Muitas vezes, os recursos que precisamos já foram construídos ao longo da nossa história. Eles estão presentes em nossas experiências, aprendizados, relacionamentos e na capacidade que desenvolvemos de enfrentar desafios anteriores. Lembrar-se disso pode ser um passo importante para atravessar esse período com mais serenidade e confiança.
REFERÊNCIAS
BECK, Judith S. Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e prática. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2022.
LEAHY, Robert L. Livre de Ansiedade. Porto Alegre: Artmed, 2011.
CORDIOLI, Aristides Volpato et al. Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.
MINI CURRÍCULO
João Costa Bezerra
Psicoterapeuta especializado em saúde mental de crianças, adolescentes e adultos.
Atua com TCC, DBT, Terapia do Esquema e Psicologia Analítica, ajudando pessoas a desenvolverem regulação emocional, flexibilidade e autonomia para lidar com seus desafios psicológicos.
Para mais informações: (11) 98436-1978



