Por Elisângela dos Santos
Ola! Me chamo Elisângela dos Santos, sou conhecida na vida religiosa como N’Kassuté Lemba de Prata, Iniciada no terreiro Santa Bárbara por Tata Waldemir Djina (Monaká) bisneta do Sindiratuka, Neta de Celina de Oyá, Filha biológica de Gal de Matamba (Matambecy)
Estarei todas as semanas escrevendo sobre o Candomblé aqui no portal “SOM DE PAPO”. O estilo é informativo, respeitoso e envolvente, ideal para despertar o interesse do público geral:

Foto: N’Kassuté Lemba de Prata. Jul. 2025 – Contato: (71)98191-8749 Instagram: desvendandoosegredo_
Lemba é o N’kissí (divindade) da nação Angola, associado à criação, à luz, à paz e à procriação, que vai determinar o fim da vida, o fim da estrada do ser humano, o fim com a certeza do dever cumprido. A morte deve ser encarada com naturalidade como encaramos os demais assuntos da nossa vida, pois ela faz parte da natureza e sabemos que tudo tem um início, um meio e um fim.
Pambu Njila (Ele é considerado o “Senhor dos Caminhos” e detém o poder da comunicação) inicia, Lemba termina. É assim na Jamberessú (roda de Candomblé), quando louvamos todos os N’kissís (divindades).
É ele que sempre atuará como mediador para acalmar discórdias em qualquer plano e produzindo uma solução, uma definição.
Lemba não come como os demais N’kissís, suas oferendas são sempre coisas brancas.
Lemba se apresenta de duas formas, O novo que é Lemba Dilê (o primeiro N’kissí criado por Nzambi – Deus. É associado à criação do mundo, à pureza e à energia vital, e é considerado o mais velho e conectado à origem de tudo), e o Velho chamado de LembaNganga, mesmo N’kissí só que tinha esse título quando mais jovem
Candomblé: Fé, Cultura, Resistência e Mistério em Cartas e Búzios aqui no portal SOM DE PAPO
Em tempos de diversidade e representatividade, é urgente que o Brasil olhe com mais atenção para as raízes que sustentam nossa identidade. O Candomblé, religião afro-brasileira nascida da resistência dos povos escravizados, é mais do que fé — é cultura, história e ancestralidade viva.
Originado da fusão de tradições africanas trazidas por iorubás, jejes e bantus, o Candomblé se estabeleceu como um dos pilares da espiritualidade brasileira. Seus rituais, cânticos e danças celebram os orixás — divindades que representam forças da natureza e aspectos da vida humana. Oxóssi, Iansã, Xangô, Iemanjá… cada um carrega mitos, ensinamentos e uma profunda conexão com o mundo espiritual.
Apesar de sua importância, o Candomblé raramente é retratado com profundidade. Quando aparece, muitas vezes é envolto em estereótipos ou confundido com outras práticas religiosas. Falta sensibilidade, pesquisa e, sobretudo, respeito. Aqui no portal SOM DE PAPO, espelho da sociedade, tem o poder de educar e desmistificar — mas para isso, precisa ouvir quem vive e conhece essa fé.
Aqui comigo N’Kassuté Lemba de Prata no portal som de papo veremos mais personagens que praticam o Candomblé com naturalidade. Mais enredos que abordem a beleza dos rituais, a força dos terreiros, o papel social das mães e pais de santo. Mais espaço para artistas, roteiristas e diretores que tragam essa vivência para a tela. E, acima de tudo, mais compromisso com a verdade e com o combate à intolerância religiosa, também narrativas que envolvem rituais, orixás e os mistérios revelados pelas cartas e pelos búzios.
Falar de Candomblé é falar de resistência, de memória, de pertencimento. É reconhecer que o Brasil é múltiplo, e que essa multiplicidade precisa ser celebrada — não apagada. Que o portal som de papo seja ponte, não barreira. Que conte histórias que honrem nossas raízes e inspirem respeito.
Uma das minhas especialidades envolvem rituais, orixás e os mistérios revelados pelas cartas e pelos búzios.
Cartas e búzios: o diálogo com o invisível
No Candomblé, o jogo de búzios é uma prática sagrada. Realizado por sacerdotes e sacerdotisas, é um instrumento de comunicação com os orixás, capaz de orientar, aconselhar e revelar caminhos. Cada concha lançada carrega significados profundos, conectando o consulente com forças espirituais ancestrais.
Já os jogos de cartas, embora não façam parte da liturgia tradicional do Candomblé, podem ser usados como linguagem simbólica e criativa para representar arquétipos, histórias e energias dos orixás. Em produções audiovisuais, podem servir como recurso narrativo para explorar o misticismo, os dilemas humanos e a busca por autoconhecimento.
Espiritualidade como narrativa
Ao trazer esses elementos para o portal som de papo, não se trata apenas de mostrar rituais — mas de contar histórias que respeitem a profundidade da tradição. Os búzios não são “magia” no sentido folclórico, mas sim uma tecnologia espiritual ancestral. As cartas podem ser metáforas visuais para os caminhos da alma. Tudo isso pode ser explorado com beleza, respeito e autenticidade.
Representatividade e combate à intolerância
Mostrar o Candomblé aqui no portal som de papo — com seus jogos, seus cantos, seus orixás — é também um ato político. É enfrentar séculos de apagamento e intolerância religiosa. É dar voz a milhões de brasileiros que vivem essa fé com orgulho e amor. É abrir espaço para roteiristas, atores e diretores que carregam essa vivência e podem traduzi-la com verdade.
Candomblé é Brasil profundo
Que o portal som de papo abrace essa riqueza. Que os búzios caiam na audiência deste portal com sabedoria. Que as cartas revelem narrativas que emocionem, eduquem e inspirem. Porque o Candomblé não é apenas religião — é Brasil em sua forma mais profunda, ancestral e luminosa.
Na próxima semana daremos continuidade falando sobre orixás e os mistérios revelados pelas cartas e pelos búzios.
N’Kassuté Lemba de Prata




Excelente texto, uma “aula magna” que esclarece tanto o povo do candomblé, quanto os simpatizantes. Somos resistência, e persistência. Parabéns.
Aweto sakidila vida longa e sucesso
Muito Gunzo Gunzo irmã….
Parabéns e muitas felicidades