Por Yuri Oliveira
Sabemos que o envelhecimento natural associado com as síndromes geriátricas, podem apresentar inúmeras alterações nas funções motoras e sensoriais envolvidas no processo degluti tório(engolir), por sua vez aumentam-se os riscos de impacto negativo na nutrição corpórea, funcionamento pulmonar e participação envolvendo a interação social referente aos atos de comer e de beber.
As devidas alterações podem afetar todo o sistema estomatognático; língua, bochechas, mandíbula, lábios, palato, impactando diretamente em suas funções vitais – sucção, deglutição, mastigação, respiração e fala.
É fato que o envelhecimento, trata-se de um processo biológico onde naturalmente os seres humanos progressivamente apresentam a degeneração lenta de estruturas que compõem o organismo.
A disfagia não é somente uma dificuldade para engolir alimentos, indivíduos podem apresentar recusa alimentar grave impactando o bom funcionamento do corpo humano. Sabemos que quando há uma redução considerável de nutrientes importantes para manter nosso corpo saudável é desencadeado uma série de eventos nocivos a nossa saúde, o corpo fica exposto a infecções. É comum esse paciente que recusa alimentação por via oral apresentar-se mais sonolento, sarcopênico, desnutrido e com pouca interação social.
Não podemos deixar de levar em consideração pacientes com seletividade alimentar ou seja, é importante manter esse paciente com a devida nutrição adequada, desta forma uma suplementação nutritiva sempre será avaliada pelo nutricionista.
Essas alterações destacam-se por mudanças não apenas físicas, alterações fisiológicas, psicológicas e sociais, manifestando-se de formas diferentes em cada indivíduo.
EFEITOS DO ENVELHECIMENTO NA FUNÇÃO DE DEGLUTIÇÃO
Sistema nervoso – A redução do fluxo sanguíneo cerebral, o alargamento do sulco cortical e aumento dos ventrículos. As propriedades funcionais e eletrofisiológicas do sistema nervoso periférico são afetadas, apresentando a diminuição da velocidade de condução nervosa.
Alterações esqueléticas – A epiglote e as cartilagens aritenoídes são extremamente importantes na prevenção da aspiração/penetração laríngea. Com o envelhecimento da cartilagem é fato a alteração de forma e ficando por sua vez menos elástica, reduzindo a capacidade de proteção das vias aéreas.
Alterações musculares – O volume de água e proteoglicano dos tendões rebaixam, favorecendo assim a calcificação e a elevação do acúmulo de gordura, provocando a diminuição da resistência à tração e rigidez nos tendões, flexibilidade e coordenação prejudicadas das atividades fisiológicas necessárias para a deglutição.
Função respiratória – A função pulmonar e a complacência da parede torácica significativamente reduzidas diminuem a capacidade dos adultos mais velhos de eliminar possíveis resíduos respiratórios e aumentando assim o risco aspiração de alimentos no trato respiratório.
Tal dificuldade pode ocorrer em diferentes fases da deglutição: oral (Introdução do alimento na boca e processo mastigatório), faríngea (fase involuntária da deglutição que dura poucos segundos, pausa na respiração e elevação de laringe para proteção de vias aéreas) ou esofágica. involuntária (não temos controle do seu mecanismo).
O diagnóstico precoce e a intervenção adequada tornam-se fundamentais para evitar complicações graves e garantir a qualidade de vida do paciente disfágico.
É fundamental observar os sinais de alerta que possam ser indicativos de complicações:
Tosse frequente ou pigarro ao engolir.
Engasgos.
Acúmulo de alimentos em cavidade oral.
Sialorréia (saliva escorrendo pelo canto da boca)
Desnutrição.
Recusa alimentar.
Mudança no padrão vocal após deglutição.
Internações recorrentes por pneumonias.
Fique atento aos sinais e em caso de necessidade de auxílio, busque auxílio médico e acompanhamento fonoaudiológico o mais rápido possível pois a disfagia não sendo tratada a tempo pode evoluir e apresentar sérios riscos à saúde do paciente.
Por Yuri Oliveira Ferreira
CRFa 8: 11.909
Fonoaudiólogo
@yurioliveirafe_fonoaudiologia @fonargroup
Por Vanessa Cláudia V. Pinto de Melo.
CRFa 8: 4541
Fonoaudióloga
@vanessacvpmelo @fonargroup



