Por Laura Porto
Lá no meio do olho do furacão, os olhos arregaladosr, as lágrimas saltitando, o vento derrubando, a anciã gritando, o amor de despedaçando, o dinheiro voando, a pele secando, as sensações sem o menor sentido, a solidão se consolidando, os devaneios pulverizando todos os cantos e, enfim, o silencio brutal e cruel.
O silêncio que assombra e gela qualquer ar de esperança, o silêncio que ouve até o mexer do fio do cabelo, que escuta até a última respiração, o último pensamento e o último soar dos tambores.
Parece trágico e emblemático, mas o que são verdadeiramente as sensações das tempestades, dos furacões que incendeiam nossa alma cansada, ferida e velha?
Parece trágico e cruel, mas é somente uma exposição de tantas e tantas tempestades que vimos dentro de um turbilhão de tantas e novas possibilidades.
Possibilidades de sofrer e ser feliz em cada decisão, em cada vento e em cada sol.
Há quem diga que a vida é uma tempestade diária, há quem diga que não existe uma só vida, ainda que não exista uma ou um monte de tempestades. Questionamo-nos se a vida é uma montanha russa ou uma calmaria total, mas uma ou outra tempestade sempre vem para mexer, molhar e até acabar com essa paz, essa mansidão.
Sem falar é claro nas tempestades em copo d’agua, essa estão presentes em todas as casas, todas as obras, todas as repartições públicas e todos os corações.
A tempestade trabalha incansavelmente, movendo as coisas de lugar, mostrando novos sentimentos, bagunçando o que está arrumado, alterando o que já estava feito, sujando o que já estava limpo, e essencialmente tirando a paz da calmaria, do concerto e do marasmo.
Enfim, chegamos a triste noticias: a tempestade trabalha para tirar a paz dos desavisados, a perfeição do que nunca foi perfeito, a tranquilidade da rede insana do dia a dia e a seriedade dos gravatinhas.
Ela vem, bagunça tudo e vai embora, deixa o silêncio, vem e remexe tudo.
Lá se vai a tempestade, trilhando outros caminhos, levando consigo o medo do desabrochar de um novo dia.
Lá se vai ela, desarrumando tudo em volta, lá se vai ela, e lá vem o novo dia, cheio de um novo sol… ou até quem sabe, de uma próxima ventania.
A tempestade trabalha, noite e dia, sem folga ou brilhantina.



