Por Ramon Henrique
Por dentro de mim eu carrego e deixo ele transbordar em cada gesto, em cada escolha, em cada palavra que eu digo.
Sou feito de amor livre, de abraços que curam ferida antiga, de música alta no volume máximo e de noites que começaram sem pretensão e viraram história pra contar pra sempre.
Ser gay pra mim é sentir a vida em HD: a alegria é mais alta, a dor é mais funda, a saudade é mais longa e o afeto é mais verdadeiro porque a gente aprende a valorizar cada pedacinho dele.
É aprender cedo que família também é quem a gente escolhe, é encontrar casa no olhar de quem respeita, é ter abrigo na amizade que não julga e força na comunidade que acolhe quando o mundo lá fora esquece.
Eu não nasci pra caber em caixinha, em regra, em expectativa ou em silêncio, eu nasci pra ocupar espaço, pra rir alto, pra amar sem pedir licença e pra lembrar com o meu simples existir que ser verdadeiro também é um ato de resistência.
Tem dia que o mundo insiste em ser cinza, pesado, cheio de barreiras, e é justamente nesses dias que eu chego com mais cor, com glitter na alma, com autoestima no peito e com orgulho de quem eu sou.
Porque eu sou inteiro, eu sou colorido, eu sou movimento. Eu sou história, eu sou presente e eu sou futuro. E eu me recuso, com todas as minhas forças, a viver pela metade.
Texto: Ramon Henrique
Instagram:@ramonhenriquee
Crédito Fotográfico: coletivo de gênero
Fonte: UOL/Terra/revista Veja/ANTRA – Associação Nacional de Travestis e Transexuais.



