Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
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Quando as férias escolares se aproximam, é comum ouvirmos a empolgação das crianças.
São dias sem aula, sem tarefas, sem despertador tocando cedo. Um período associado ao descanso, ao lazer e ao tempo livre.
Mas para muitas mães, a chegada das férias pode trazer uma pergunta silenciosa:
Quem vai cuidar de tudo isso?
A rotina muda. Os horários mudam. A organização da casa muda. E, muitas vezes, é sobre a mulher que recai a responsabilidade de reorganizar toda a dinâmica familiar. Planejar atividades, pensar na alimentação, administrar o tempo das telas, conciliar trabalho e cuidados com os filhos, lidar com o tédio das crianças e, ao mesmo tempo, dar conta das próprias demandas.
Nem sempre as férias representam descanso para quem cuida.
E reconhecer isso não significa amar menos os filhos.
Significa apenas reconhecer uma realidade que muitas mulheres vivem, mas poucas verbalizam.
Existe uma expectativa social de que as férias sejam um período leve, feliz e cheio de momentos especiais em família. E embora esses momentos existam, eles também convivem com o cansaço, a sobrecarga e a necessidade constante de adaptação.
Quando falamos sobre saúde mental materna, precisamos olhar para essa carga invisível que acompanha muitas mulheres. A psicologia chama de carga mental o esforço contínuo de planejar, lembrar, antecipar problemas e organizar o funcionamento da família. É aquele trabalho que muitas vezes não aparece, mas ocupa espaço constante na mente.
E durante as férias, essa carga pode aumentar.
Por isso, uma das reflexões mais importantes deste período seja: as crianças estão entrando em férias, mas a mãe também terá momentos de descanso? Nem sempre será possível viajar ou ter uma rotina ideal. Importante lembra que pequenas pausas também importam.
Dividir responsabilidades, pedir ajuda quando necessário, reduzir expectativas e abandonar a ideia das férias perfeitas pode fazer diferença para o bem-estar de toda a família. As crianças não precisam de programações impecáveis todos os dias. Elas precisam de adultos emocionalmente disponíveis, e isso se torna mais difícil quando alguém está exausto.
Cuidar da saúde mental não é um luxo. É uma necessidade.
Neste período de férias o convite que eu quero fazer para você é: além de pensar no que fará bem para os filhos, perguntar também o que fará bem para você.
Porque as férias são das crianças.
Mas o cuidado com quem cuida precisa acontecer o ano inteiro.
Como psicóloga perinatal e profissional da saúde mental feminina, acompanho mulheres que enfrentam os desafios da maternidade em suas diferentes fases. Muitas vezes, o primeiro passo para reduzir a sobrecarga é reconhecer que ela existe. E pedir apoio não é sinal de fraqueza. É uma forma de cuidado consigo mesma e com toda a família.
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



