Por Rony Cysney
O escritor gaúcho, nascido em Porto Alegre em 26 de setembro de 1936, enfrentava há anos uma série de complicações de saúde que incluíam a doença de Parkinson, sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido em 2021, além de problemas cardíacos. morreu neste sábado (30/8), aos 88 anos, em Porto Alegre (RS).
Ao fim da vida, enfrentava dificuldades de fala e as poucas palavras que ainda balbuciava, eram em inglês, conforme relato de Lúcia Verissimo, de 81 anos e esposa do escritor por 61 deles, à Folha de São Paulo.
Filho de Mafalda e Erico Verissimo (1905-1975), também escritor, Luis Fernando Verissimo mudou-se aos 16 anos para os Estados Unidos, onde o pai trabalhou como professor na Universidade da Califórnia, de 1943 a 1945.

Durante sua extensa carreira, o escritor construiu um vasto legado com mais de 70 livros publicados e 5,6 milhões de cópias vendidas. Sua produção literária abrangeu gêneros diversos, desde crônicas humorísticas até contos e romances que retrataram com graça e maestria o cotidiano brasileiro.
“Eu comecei a escrever tarde, com mais de 30 anos. Até então só tinha feito algumas traduções do inglês e não tinha a menor intenção de ser jornalista ou escritor”, lembrou Verissimo, então aos 80 anos, em entrevista à revista Época, em 2016. “Quando me deram um espaço assinado no jornal, eu, por assim dizer, me descobri. (…) O resto, os contos e os romances são decorrências do trabalho como cronista. Na música, apenas realizei o sonho de ser jazzista, ou pelo menos poder brincar de ser jazzista”, completou.

SUAS OBRAS
Entre as principais obras do escritor, estão O Analista de Bagé (1981), A Grande Mulher Nua (1975), Ed Mort e Outras Histórias (1979), O Santinho (1991) e Comédias da Vida Privada (1994), livro de crônicas que foi adaptado para uma série de televisão pela Rede Globo, entre 1996 e 1997.
Além de sua prolífica carreira como escritor e cronista, Verissimo teve uma significativa participação na televisão brasileira, com trabalhos como roteirista e criador de séries de sucesso.
Na rede Globo, foi redator de programas como Planeta dos homens, Viva o gordo e TV Pirata. Mas seu maior sucesso nas telas veio com A Comédia da Vida Privada, série de 21 episódios, exibida pela Globo entre 1995 e 1997.
Mais uma grande perda para a cultura brasileira. Uma pena!
Mas, como ele mesmo dizia: “A morte é uma injustiça, essa é a melhor descrição. Mas a gente tem de conviver com isso”, disse ele à Folha de S.Paulo, em 2011.
Por Rony Cysney
Fonte das fotos e pesquisa: www.bbc.com / g1.globo.com / larioja.com



