Por Dra Thayse Santos
@dra.thaysesantos
@veridiana.mediciapericial
Receber o diagnóstico de uma doença pode trazer medo, insegurança e muitas dúvidas. Entre elas, uma é bastante frequente: “Se tenho uma doença, automaticamente estou incapacitado para o trabalho?” A resposta é: nem sempre. Essa talvez seja uma das questões mais importantes da Medicina Pericial e, ao mesmo tempo, uma das menos compreendidas pela população. Ter uma doença e estar incapacitado são situações diferentes.
Imagine uma pessoa que descobre ter hipertensão arterial. Outra recebe o diagnóstico de diabetes. Há também quem conviva com hérnia de disco, artrose, ansiedade ou depressão. Essas condições merecem atenção médica e acompanhamento adequado. No entanto, muitas pessoas com esses diagnósticos continuam exercendo suas atividades profissionais, cuidando da família e mantendo uma vida ativa.
Por outro lado, existem situações em que a mesma doença provoca limitações importantes, impedindo a pessoa de desempenhar seu trabalho ou até mesmo atividades simples do cotidiano. Por quê? Porque a Medicina Pericial não avalia apenas o nome da doença. Ela avalia o impacto que essa doença produz na vida da pessoa. É justamente essa análise que diferencia a consulta médica da perícia médica.
Durante uma consulta, o objetivo principal é diagnosticar, tratar e acompanhar o paciente. Na perícia, além do diagnóstico, é necessário compreender como aquela condição interfere na capacidade funcional do indivíduo. A pessoa consegue exercer sua profissão? Consegue caminhar, levantar peso, permanecer concentrada ou realizar movimentos repetitivos? A doença impede essas atividades de forma temporária ou permanente? São essas perguntas que orientam a avaliação pericial.
Outro aspecto importante é que duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem apresentar capacidades completamente diferentes. Um professor e um trabalhador da construção civil, por exemplo, podem ter a mesma doença na coluna. No entanto, as exigências físicas de suas profissões são diferentes, e isso pode influenciar diretamente a análise da capacidade para o trabalho. É por isso que a perícia médica é sempre individualizada.
Não existem respostas prontas nem conclusões baseadas apenas em exames ou diagnósticos. Cada história é única. Cada profissão possui características próprias. Cada organismo responde de uma maneira diferente ao adoecimento e ao tratamento.
Ao compreender essa diferença, também entendemos um dos princípios mais importantes da Medicina Pericial: a incapacidade não é definida apenas pela existência da doença, mas pelas limitações concretas que ela provoca.
Mais do que identificar diagnósticos, a perícia busca compreender pessoas. E é justamente esse olhar técnico, criterioso e individualizado que permite transformar informações médicas em elementos capazes de auxiliar decisões mais justas.
Informação também é cuidado. Nos encontramos na próxima coluna.
Dra. Thayse Santos, é médica especialista e atuante nas áreas de Perícia Médica Judicial, saúde mental, beleza e qualidade de vida. Atua como perita médica junto ao Poder Judiciário, realizando avaliações técnicas em processos judiciais com enfoque ético, humanizado e baseado em evidências científicas.
Esta coluna busca aproximar o público do universo da perícia médica por meio de uma linguagem clara, acessível e acolhedora, traduzindo temas técnicos para o cotidiano das pessoas.



