Por Laura Porto
Há sentimentos que chegam sem anúncio.
Uma angústia discreta e persistente.
Uma inquietação sem nome.
Um peso que se instala sem explicação aparente.
E, quase sempre, você acredita: sou eu.
Mas nem tudo o que habita em você nasceu em você.
Muitas emoções foram assimiladas ao longo do caminho.
Aprendidas no convívio.
Absorvidas nos ambientes.
Herdadas em silêncios familiares.
Expectativas que nunca foram suas.
Medos transmitidos como proteção.
Crenças repetidas até parecerem verdade.
Assim, pouco a pouco, vamos carregando conteúdos alheios como se fossem identidade.
E passamos a viver reagindo a dores que não escolhemos, obedecendo roteiros que jamais escrevemos.
Até que surge o instante mais importante da consciência:
Perceber que sentir não significa pertencer.
Nem tudo o que pesa em você lhe pertence.
Nem toda emoção merece permanência.
Nem todo sofrimento precisa ser continuidade.
Há liberdade em questionar aquilo que se sente.
Há maturidade em discernir o que é essência e o que é herança.
E há poder em devolver, com lucidez, tudo aquilo que nunca foi seu.



