Por Antonio Junior
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RESUMO
Este artigo problematiza os critérios pelos quais estudantes são identificados como alunos com dificuldade. Discute-se a relação entre normalidade, desempenho, contexto, diversidade e equidade, considerando também desigualdades raciais. Defende-se uma abordagem neuropsicopedagógica que não ignore diferenças individuais, mas investigue barreiras, potencialidades e condições concretas de aprendizagem.
Palavras-chave: Equidade; Dificuldade de aprendizagem; Diversidade; Avaliação; Neuropsicopedagogia.
Introdução
Toda escola estabelece expectativas sobre o que significa aprender, participar e apresentar um desempenho considerado adequado. Essas expectativas são necessárias para organizar o processo educativo, mas também precisam ser analisadas criticamente, porque podem produzir classificações e hierarquias entre estudantes.
Quem define a dificuldade?
Quando um aluno é definido como “com dificuldade”, é preciso perguntar: dificuldade em relação a qual referência? Em qual contexto? Com quais oportunidades de aprendizagem? Durante quanto tempo? Quais estratégias foram oferecidas?
A aprendizagem é heterogênea. Estudantes possuem ritmos, experiências, repertórios culturais, formas de comunicação e estratégias diferentes. Uma escola comprometida com a equidade precisa reconhecer essas diferenças sem transformar diversidade em incapacidade.
Equidade e diversidade étnico-racial
A equidade não significa oferecer exatamente a mesma coisa para todos. Significa identificar barreiras e oferecer os recursos necessários para que diferentes estudantes tenham oportunidades reais de desenvolvimento. A LDB estabelece a consideração da diversidade étnico-racial como princípio da educação nacional. (BRASIL, 1996).
As políticas curriculares brasileiras também determinam o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena, reforçando a importância de uma escola que reconheça diferentes trajetórias e identidades. (BRASIL, 2008).
Da classificação à compreensão
A Neuropsicopedagogia pode contribuir para substituir uma lógica de classificação por uma lógica de compreensão. Em vez de perguntar apenas quem está abaixo da média, é necessário investigar quais competências estão preservadas, quais barreiras estão presentes e quais estratégias podem favorecer o desenvolvimento.
Essa perspectiva encontra diálogo com produções contemporâneas que articulam neuropsicopedagogia, equidade e políticas públicas antirracistas. (LISBOA; SOUZA JÚNIOR, 2026).
Considerações finais
Definir quem é um aluno com dificuldade é uma responsabilidade que exige cautela. Antes de classificar, é preciso compreender. Antes de atribuir um déficit, é preciso investigar as condições de aprendizagem. Uma escola que trabalha com equidade não ignora diferenças; transforma essas diferenças em ponto de partida para oferecer melhores oportunidades.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 1996.
BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394/1996 para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira. Brasília, DF: Presidência da República, 2003.
BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394/1996, modificada pela Lei nº 10.639/2003, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Brasília, DF: Presidência da República, 2008.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Interseccionalidades das desigualdades raciais e socioeconômicas na perspectiva neuropsicológica: entrevista com o Grupo de Trabalho de Neuropsicologia do Conselho Federal de Psicologia. Psicologia: Ciência e Profissão, 2025.
LISBOA, Cristiane Almeida; SOUZA JÚNIOR, Antonio Cordeiro de. A mulher negra como protagonista na interseção entre políticas públicas e neuropsicopedagogia: caminhos para a equidade e inclusão. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, São Paulo, v. 12, n. 1, 2026.
SANTOS, Bianca Cristina Garcia. O impacto do racismo no desenvolvimento da aprendizagem: o papel do/a psicopedagogo/a institucional. 2025. Monografia de Especialização – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2025.
Antonio Junior é Mestre e Doutorando em Educação, neuropsicopedagogo, especialista em ABA para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), contador e escritor.



