*Por Karina Gubernati
@arquitetakarinag
Vamos falar da cor amarela na arquitetura de interiores e sua relação com a neuroarquitetura ?
A cor amarela é frequentemente associada à luz solar, à vitalidade e ao estímulo cognitivo.
Mas, será que isso serve para todos?
Na arquitetura de interiores, seu uso pode contribuir para a criação de ambientes mais acolhedores, otimistas e energizantes, mas tudo depende muito da intenção que queremos dar ao ambiente.
A arquitetura biofílica busca fortalecer a conexão entre as pessoas e a natureza dentro dos espaços construídos. Nesse contexto, o amarelo remete a elementos naturais que fazem parte da experiência humana desde os primórdios, como a luz do sol, flores, frutos maduros e paisagens iluminadas. Essa associação desperta sensações positivas e pode contribuir para o bem-estar emocional dos ocupantes.
Do ponto de vista da neuroarquitetura, tons amarelados tendem a estimular a atenção, a criatividade e a comunicação. Por isso, podem ser utilizados estrategicamente em áreas de convivência, espaços colaborativos, salas de reunião, cozinhas e ambientes destinados à socialização. Quando combinados com materiais naturais, como madeira, pedra, fibras vegetais e vegetação, o amarelo potencializa a sensação de conforto e proximidade com a natureza.
A intensidade da cor merece atenção. Tons suaves, como amarelo-palha, mostarda claro ou dourados discretos, costumam proporcionar aconchego e sofisticação sem gerar excesso de estímulo visual. Já amarelos muito saturados podem aumentar a sensação de agitação quando utilizados em grandes superfícies.
Outro aspecto importante é a interação entre a cor e a iluminação. A luz natural valoriza os tons amarelados e reforça sua conexão simbólica com o sol. Em projetos biofílicos, a entrada abundante de luz natural, associada a vistas para áreas verdes e materiais orgânicos, cria uma experiência sensorial mais completa.
Iluminação com temperatura de cor quente (entre 2.500 K e 2.700 K) ajudam a preservar a percepção acolhedora do amarelo, evitando contrastes excessivos e contribuindo para o conforto visual.
Assim, a cor amarela pode ser uma poderosa ferramenta de projeto quando utilizada de maneira consciente. Por isso, nunca podemos escolher a cor de maneira isolada – é preciso entender as outras cores ao seu redor e os materiais que estarão presentes no projeto.
Mais do que um elemento estético, ela atua como um recurso capaz de estimular emoções positivas, promovendo ambientes mais confortáveis e saudáveis.
*Sou arquiteta, especialista em Design Biofílico e Neuroarquitetura, com vários ambientes transformados.
– Projeto escritórios e ambientes com bem-estar, foco e retorno real.
Karina Gubernati
Contato:(11) 99176-1876



