Por Dra. Simone Baptista
Advogada Previdenciarista
Mentora de Advogados
I. A PERGUNTA QUE NINGUÉM FAZ
Você certamente conhece advogados de vasto conhecimento técnico, profissionais que dominam a legislação, que fundamentam suas peças com rigor doutrinário e que raramente são surpreendidos em uma audiência. E, no entanto, sua carreira avança em passos lentos, quase invisíveis.
Da mesma forma, é provável que você tenha cruzado o caminho de colegas que não impressionam pela erudição, mas que constroem clientela com consistência, que se posicionam com clareza no mercado jurídico e que parecem prosperar com uma naturalidade desconcertante.
A pergunta que raramente se faz — e que, quando feita, costuma incomodar é esta: por que o conhecimento, por si só, não garante o crescimento?
A resposta, desconfortável que seja, aponta sempre para o mesmo lugar: a mente do profissional.
Este artigo não trata de técnicas jurídicas. Trata de algo anterior e, por isso mesmo, mais determinante: a estrutura de crenças que governa as decisões de um advogado e que, silenciosamente, define o teto do seu crescimento profissional.
II. A ILUSÃO DO CONHECIMENTO SUFICIENTE
A formação jurídica é extraordinária em muitos aspectos e, em um aspecto específico, ela falha de maneira sistemática. Ela conduz o futuro advogado a acreditar que o sucesso profissional é uma decorrência direta e proporcional do acúmulo de saber. Que bastará conhecer bem as normas, a jurisprudência e a doutrina para que os resultados sejam uma consequência natural.
Essa crença, embora compreensível, não resiste ao confronto com a realidade do exercício profissional. Ao ingressar no mercado, o recém-formado se depara com uma série de demandas para as quais os anos de faculdade simplesmente não o prepararam.
Como se apresentar ao cliente que ainda não existe? Como cobrar honorários sem sentir que está pedindo um favor? Como construir visibilidade em um mercado saturado? Como tomar a decisão de abrir o próprio escritório mesmo sem garantias? Como gravar um vídeo, escrever um artigo, falar em público assumindo a posição de quem tem algo relevante a dizer?
Esses não são problemas técnico-jurídicos. São problemas de mentalidade. E eles têm um denominador comum quase invariável: o medo.
O medo se manifesta de formas diversas:
▪ medo de errar diante do cliente e perder a credibilidade recém-conquistada;
▪ medo de cobrar honorários condizentes com o valor real do seu trabalho;
▪ medo de se posicionar publicamente e ser julgado pelos pares;
▪ medo de assumir casos complexos antes de se sentir “plenamente preparado”;
▪ medo de crescer e, com o crescimento, de ser exposto.
O que torna esse conjunto de medos particularmente perigoso é que ele raramente se apresenta como tal. Ele se disfarça de prudência, de responsabilidade, de ética profissional. O advogado que o experimenta não se vê paralisado pelo medo ele se vê sendo cauteloso. E essa confusão pode custar anos de carreira.
III. A MENTIRA DO PROFISSIONAL COMPLETO
“Preciso estar preparado para começar.” Esta é, talvez, a crença mais cara que um advogado pode nutrir.
A ideia de que existe um estado de prontidão ideal um momento em que o profissional finalmente saberá o suficiente, terá experiência suficiente, sentirá confiança suficiente para agir é uma ilusão sofisticada. Ela nunca se concretiza porque não pode se concretizar. O suficiente sempre se move quando nos aproximamos dele.
Nenhum advogado de referência construiu sua trajetória a partir de um estado de completude prévia. Todos eles agiram antes de se sentirem prontos. Erraram, ajustaram, aprenderam, voltaram a agir. A competência não antecede a ação ela emerge dela.
A advocacia, como toda atividade humana de alto impacto, não é um jogo de perfeição. É um jogo de evolução contínua, de aprendizado acumulado, de resiliência diante dos inevitáveis reveses. Confundir esses dois jogos o da perfeição com o da evolução é um equívoco que paralisa carreiras inteiras antes que elas se desenvolvam.
O profissional que age aprende. O que aprende melhora. O que melhora constrói autoridade genuína não a autoridade de quem nunca erra, mas a autoridade de quem persiste, que é infinitamente mais sólida e mais respeitada.
O problema, portanto, nunca foi o erro. Foi a permissão concedida ao medo de errar para interromper o movimento.
IV. O QUE A ADVOCACIA EXPONENCIAL PROPÕE
A Advocacia Exponencial não é um método de produtividade. Não é um conjunto de técnicas de marketing jurídico. Não é, tampouco, uma promessa de resultados acelerados por atalhos. É uma abordagem integrativa que reconhece o que a formação tradicional sistematicamente ignora: que o desenvolvimento do advogado precisa ser humano antes de ser técnico.
O exercício qualificado da advocacia exige, sim, domínio do Direito. Mas exige igualmente e com urgência que a faculdade não transmite o desenvolvimento de competências que nenhuma grade curricular contempla com a seriedade que merecem.
Entre elas, destacam-se:
▪ Inteligência emocional: a capacidade de enfrentar a pressão inerente ao exercício da advocacia sem que ela comprometa o julgamento ou o relacionamento com clientes e colegas;
▪ Autoconfiança estruturada: não a arrogância superficial, mas a confiança que deriva do autoconhecimento saber o que se sabe, reconhecer o que se desconhece e agir com segurança dentro dessas fronteiras;
▪ Posicionamento estratégico: a habilidade de comunicar com clareza quem se é, para quem se trabalha e qual problema se resolve definindo, assim, o lugar que se ocupa no mercado;
▪ Construção de autoridade: a capacidade de produzir e compartilhar conhecimento de forma consistente, tornando-se referência reconhecida na área de atuação;
▪ Visão estratégica de longo prazo: a habilidade de enxergar oportunidades onde outros enxergam obstáculos, e de tomar decisões orientadas ao crescimento sustentável, não apenas à sobrevivência imediata.
Essas competências raramente se desenvolvem de forma isolada, e é aqui que a mentoria encontra seu papel mais preciso. Não como substituto do estudo técnico, mas como catalisador do desenvolvimento humano que o acompanha. A mentoria encurta o tempo entre o ponto em que o profissional se encontra e o ponto em que ele deseja estar. Ela oferece perspectiva externa, reduz pontos cegos e, fundamentalmente, valida o percurso tornando o movimento menos solitário e mais sustentável.
V. UMA QUESTÃO DE ESCOLHA
A advocacia tem uma vocação transformadora que vai muito além das petições e das audiências. Ela muda vidas. Restitui direitos. Recompõe dignidades. É uma das profissões em que o impacto do trabalho bem feito se traduz diretamente em consequências humanas concretas e significativas.
Mas antes que o advogado possa transformar a vida dos seus clientes com essa profundidade, é necessário que ele enfrente, com honestidade, a questão mais importante da sua carreira: o que, dentro de mim, me impede de crescer?
Não é o mercado. O mercado sempre terá espaço para profissionais que entregam valor real. Não é a concorrência. A concorrência é abundante, mas a excelência genuína continua sendo escassa. Não é a falta de oportunidades. As oportunidades existem, mas elas são invisíveis para quem as observa através do filtro do medo.
O maior obstáculo na carreira de um advogado raramente é externo. Quase sempre, ele habita o espaço entre o que o profissional acredita ser capaz de fazer e o que, de fato, poderia fazer se confiasse em si mesmo o suficiente para tentar.
A boa notícia e ela é genuína é que esse obstáculo pode ser removido. Não de uma vez, não sem esforço, não sem o desconforto inerente a qualquer processo real de crescimento. Mas ele pode ser removido.
E quando isso acontece, o advogado não apenas passa a exercer melhor a sua profissão. Ele passa a ser, integralmente, o profissional que sempre teve potencial de ser.
Porque no final das contas, o maior erro do advogado iniciante nunca esteve no Direito. Esteve, sempre, naquilo que ele acredita sobre si mesmo.
Simone Baptista
“Quando a mente evolui, a advocacia acompanha.”
Advogada Previdenciarista · Mentora de Advogados



