Por Ana Paula Maia Angélico
Advogada
Imagine acordar em uma segunda-feira e descobrir que um vídeo do seu negócio alcançou milhões de visualizações. As vendas aumentam, os pedidos não param de chegar e sua marca finalmente começa a ser reconhecida em todo o país.
Agora imagine receber, poucos dias depois, uma notificação informando que você não pode mais utilizar aquele nome. Parece difícil de acreditar? Mas essa situação acontece com mais frequência do que se imagina.
Vivemos na era das redes sociais. Um único vídeo pode transformar uma pequena empresa em um grande sucesso da noite para o dia. Um produto pode viralizar, uma loja pode ganhar milhares de seguidores e um empreendedor pode conquistar clientes em todo o Brasil em questão de horas.
O problema é que muitos investem tempo, dinheiro e criatividade para divulgar sua marca, mas esquecem de protegê-la.
É comum encontrar empreendedores que acreditam que possuir um perfil no Instagram, um domínio na internet ou até mesmo um CNPJ garante exclusividade sobre o nome da empresa. No entanto, essas medidas são importantes para o funcionamento do negócio, mas não substituem o registro da marca.
Imagine, por exemplo, uma confeiteira que cria uma marca criativa para vender doces artesanais. Depois de meses de trabalho, um vídeo mostrando seus produtos viraliza. Em poucos dias, ela passa a receber centenas de pedidos e começa a enviar seus produtos para diversos estados. O sucesso parece perfeito.
Mas, enquanto ela comemora o crescimento, outra pessoa registra aquela marca primeiro. De repente, surge o risco de perder o direito de utilizar o nome que já está estampado nas embalagens, nas redes sociais, nos cartões de visita e, principalmente, na memória dos clientes. Além do prejuízo financeiro, mudar o nome de uma empresa significa reconstruir toda a identidade do negócio. É preciso alterar logotipo, embalagens, fachada, site, redes sociais e investir novamente para que o público reconheça a nova marca.
Esse é um custo que poderia ser evitado. Registrar uma marca não deve ser visto como um passo para quando a empresa crescer. Na verdade, ele faz parte do próprio crescimento.
Quanto mais conhecida uma marca se torna, maior é o seu valor e maior também pode ser o interesse de terceiros em utilizá-la ou imitá-la. Por isso, a proteção deve acompanhar o empreendedor desde o início da sua jornada.
No mundo dos negócios, conquistar clientes é um grande desafio. Mas garantir que eles continuem encontrando a sua empresa pelo mesmo nome é uma estratégia tão importante quanto vender um bom produto ou prestar um bom serviço.
Antes de investir para fazer sua marca viralizar, vale uma reflexão: Se o sucesso chegar amanhã, sua marca estará realmente protegida para crescer junto com ele?
Ana Paula Maia Angélico
@anapmangelico
Dra. Ana Paula Maia Angélico é advogada especialista em Direito de Família e Trabalhista e atua na área de Registro de Marcas, auxiliando empresas e profissionais na proteção jurídica de seus ativos intelectuais e fortalecimento de suas marcas.



