Por Daniela Gurgel
@danigurgel.psicanalista
Já viveu algo assim?
O corpo dá sinais de cansaço, os olhos pesam, você se acomoda, deita, mas o sono simplesmente não vem.
Deitar deveria ser um convite ao repouso. Porém, para muitas pessoas é nesse momento que a mente insiste em não desligar. Os pensamentos se agitam como se estivessem gritando para serem escutados.
A insônia, comumente rotulada como distúrbio do sono, pode abrigar um sentido mais profundo que ultrapassa o cansaço físico. Além do impacto emocional, ela provoca irritabilidade, ansiedade e dificuldade de concentração, comprometendo, a longo prazo, o funcionamento da memória e a regulação do humor.
No viés psicanalítico, o que não é bem assimilado, compreendido e até mesmo resolvido no decorrer do nosso dia a dia tende a ecoar quando o silêncio paira no ar. À noite, passa a ser um campo de manifestação de tudo que ao longo do dia foi reprimido.
O sono precisa de paz. E na psicanálise a paz não é só ausência de ruídos, mas a capacidade da mente saber lidar com os conflitos emocionais. Quando a mente entra em estágio de turbulência por fatores denominados “restos diurnos” como dizia Freud, a paz do sono deixa de existir.
E quanto mais você tenta forçar o sono, mais resistente ao repouso ele parece ficar. Não é?
Quando o não conseguir desligar de si começa a se tornar crônico, é preocupante, uma vez que o sono depende da harmonia entre fatores psíquicos, neurológicos, hormonais e externos para desempenhar seu papel biológico. Nesse contexto, o auxílio da psicanálise pode ser benéfico ao criar mecanismos de acessos a esses conteúdos reprimidos, permitindo compreender como esses padrões de pensamento atrapalham o descanso.
Nesse sentido, observe se a insônia que te acomete é mais do que um problema fisiológico, pois pode ser um sinal de que algo dentro de você não está bem. Por isso, identificar conflitos internos e tratá-los numa análise, pode amenizar os efeitos de diversos outros transtornos de origem emocional.
Se sua insônia persiste ou está interferindo de forma gradativa na sua qualidade de vida buscar ajuda profissional pode ser um caminho importante. Fica a dica!



