Por Larissa Demarchi Ribeiro
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Durante muito tempo, o papel do pai era visto quase exclusivamente como o de provedor da família. Sua principal responsabilidade era garantir o sustento da casa, enquanto os cuidados diários com os filhos ficavam, em grande parte, sob responsabilidade das mães.
Essa realidade mudou.
Hoje, é cada vez mais comum vermos pais participando ativamente da criação dos filhos: acompanham consultas médicas, reuniões escolares, dividem tarefas, levam e buscam as crianças na escola e estão presentes nos momentos importantes do desenvolvimento da família.
Essa transformação social também chegou ao ambiente de trabalho.
O Direito do Trabalho acompanha essa mudança.
Embora a licença-paternidade ainda seja significativamente menor que a licença-maternidade, a legislação brasileira já reconhece a importância da presença do pai nos primeiros dias de vida da criança.
Além da licença-paternidade, a legislação prevê situações específicas em que o empregado pode se ausentar do trabalho para acompanhar consultas médicas e outros cuidados relacionados aos filhos, desde que observados os requisitos legais.
Mais do que direitos previstos em lei, essas normas refletem uma mudança de entendimento sobre o papel da paternidade na sociedade.
Empresas também precisam acompanhar essa evolução.
Muitas empresas já perceberam que apoiar seus colaboradores na conciliação entre trabalho e família não representa perda de produtividade.
Pelo contrário.
Ambientes organizacionais que valorizam relações de confiança, diálogo e equilíbrio tendem a apresentar equipes mais engajadas, menor rotatividade e um clima de trabalho mais saudável.
Isso não significa flexibilizar indiscriminadamente regras ou deixar de cumprir metas.
Significa compreender que colaboradores também possuem responsabilidades familiares e que uma gestão humanizada pode caminhar lado a lado com resultados.
Assim como os pais influenciam seus filhos pelo exemplo, líderes influenciam suas equipes diariamente.
Respeito, empatia, responsabilidade e boa comunicação são valores que fortalecem tanto as relações familiares quanto o ambiente corporativo.
Empresas que desenvolvem lideranças preparadas para lidar com as diferentes realidades dos colaboradores constroem relações mais sólidas e reduzem conflitos desnecessários.
Valorizar pessoas também é uma estratégia empresarial.
No mundo corporativo, fala-se muito sobre produtividade, desempenho e resultados.
Mas, por trás de cada função, existe uma pessoa com responsabilidades, desafios e uma história fora da empresa.
Reconhecer essa realidade não significa abrir mão da organização ou da disciplina.
Significa compreender que um ambiente de trabalho saudável é construído quando as pessoas são tratadas com respeito, dentro dos limites da legislação e com políticas internas claras.
Uma reflexão neste Dia dos Pais
Neste Dia dos Pais, vale lembrar que a evolução das relações familiares também transformou as relações de trabalho.
Empresas que acompanham essas mudanças demonstram maturidade na gestão de pessoas e fortalecem sua cultura organizacional.
Cumprir a legislação é o ponto de partida. O verdadeiro diferencial está em construir uma cultura organizacional que compreenda que pais e mães compartilham responsabilidades familiares. Empresas que reconhecem essa realidade tendem a fortalecer o vínculo com seus colaboradores, melhorar o clima organizacional e formar equipes mais engajadas.
É reconhecer que colaboradores mais presentes em suas famílias tendem a construir relações profissionais mais equilibradas, comprometidas e produtivas.
Porque empresas são feitas de pessoas.
E pessoas levam para o trabalho tudo aquilo que vivem fora dele.
A legislação estabelece direitos mínimos. A cultura da empresa é que define a experiência do colaborador.
Mini currículo
Larissa Demarchi Ribeiro é advogada, inscrita na OAB/SP nº 296.477, especialista em Direito do Trabalho Empresarial, com atuação consultiva, preventiva e contenciosa. Auxilia empresas na gestão de riscos jurídicos, implementação de práticas preventivas e fortalecimento da segurança jurídica nas relações de trabalho.



