Por Bia Rossatti
Existe um fenômeno acontecendo — silencioso, mas extremamente revelador.
Cada vez mais mulheres estão emocionalmente envolvidas com histórias…enquanto, na vida real, os vínculos parecem cada vez mais frágeis, distantes ou confusos.
E a pergunta não é superficial: Por que os doramas parecem estar substituindo nossas ações reais de se relacionar?
A resposta não está no entretenimento.
Está no que ele está tentando preencher.
O vazio que cresce dentro das relações
Vivemos uma época em que tudo parece mais acessível — inclusive as pessoas.
Mas, paradoxalmente, nunca foi tão difícil:
Confiar,
se entregar,
permanecer,
construir algo profundo
Os relacionamentos estão sendo atravessados por um fenômeno silencioso: a perda de segurança emocional.
Não se sabe mais se o outro vai ficar.
Não se sabe mais se vale a pena se abrir.
Não se sabe mais se amar ainda é um lugar seguro.
E, aos poucos, algo começa a acontecer:
Você se protege.
Você se fecha.
Você se adapta.
Mas, junto com essa proteção…também vem o vazio.
Um vazio que não tem nome e, esse vazio não é óbvio.
Ele não chega como um grito. Ele chega como um desconforto constante.
Uma sensação de: desconexão; solidão acompanhada, falta de profundidade, ausência de presença real.
Mas como ele não é claramente identificado…
ele não é nomeado.
e, por isso, não é cuidado.
A fuga que parece inofensiva
É aqui que entram os doramas. Eles não são o problema. Eles são o sintoma.
Porque, neles, encontramos exatamente aquilo que está faltando:
alguém que escolhe,
alguém que espera,
alguém que permanece,
alguém que sente com profundidade
E, então, sem perceber, algo acontece: começamos a sentir mais ali do que na nossa própria vida. Não porque preferimos a ficção. Mas porque ali… o amor ainda parece possível.
O anestésico emocional que ninguém percebe
Assistir vira um refúgio.
Um lugar seguro para acessar emoções que, na vida real, parecem arriscadas demais.
E isso tem um efeito muito sutil — e perigoso: alivia a dor…mas adia o encontro com ela.
Porque aquilo que sentimos enquanto assistímos não resolve o que está faltando na nossa realidade.
Só suaviza.
E, enquanto suaviza, a vida real continua pedindo presença. A nossa presença!
O que esse fenômeno pode estar revelando sobre nós
Que existe uma narrativa moderna muito forte:
“Liberdade é não depender de ninguém.”
“Relacionamentos são complicados demais.”
“É melhor ficar sozinho do que se frustrar.”
Mas o comportamento emocional conta outra história, porque, se fosse verdade que não precisamos mais de vínculos…
Por que essas histórias nos tocam tanto?
Por que nos emocionam tanto?
Por que nos prendem tanto?
A resposta é simples — e profunda: a nossa alma ainda anseia por amar e ser amada.
O conflito da mulher contemporânea
Hoje, existe uma divisão interna muito clara: de um lado uma mulher que aprendeu a ser independente, forte, autossuficiente; de outro: uma mulher que ainda deseja conexão, profundidade, presença e vínculo real.
E, quando essas duas partes não se integram…surge o conflito.
Não queremos depender, mas também não queremos viver vazias.
O que está sendo evitado
Os doramas não criam o problema. Eles revelam algo que já está aí – a nossa dificuldade de sustentar relações reais.
Porque relações reais exigem: vulnerabilidade, comunicação, frustração e responsabilidade emocional.
E isso tudo dói – muito mais do que assistir uma história onde tudo, no final, se encaixa.
A rota da cura deste vazio começa com consciência.
O ponto não é parar de assistir. O ponto é perceber o que você estamos buscando ali que está faltando aqui?
Essa é a pergunta que muda tudo.
Porque ela nos tira da fuga… e nos coloca de volta na nossa própria vida.
Amar ainda é o caminho.
Apesar de tudo que mudou…
Apesar das decepções…
Apesar do medo…
A verdade permanece: não queremos apenas paz, queremos conexão.
Não queremos apenas liberdade, queremos ser escolhidas e escolher também.
E isso não é fraqueza. Isso é humano.
Um convite para todos nós!
Talvez os doramas não sejam apenas entretenimento na nossa vida.
Talvez eles sejam um espelho.
Mostrando, com delicadeza, aquilo que você ainda desejamos viver.
E, quando temos coragem de olhar para isso…ganhamos consciência, autonomia e felicidade plena.
Bia Rossatti – Terapeuta de Casal e Família.
Especialista em Relacionamentos e recomeços.
@biarossattiterapeuta




Maluco isto, né?! Querer ser independente e ao mesmo tempo necesdirar do outro…..bem lico mesmo, para os dias atuais….
Será que a necesdidade de afeto é que está nos distanciando, pous ninguem parece mais querer DAR afeto?
Será que esta ansiedade por só querer receber e , bem pouco ou nada, nos doar seja a causa do Dorama?🎯