*Por Alexandre Angélico
Matemático e Economista
Quando você chega ao mercado e vê que o arroz, o café ou até o sabonete estão mais caros, isso é a inflação: o aumento geral dos preços. Ela acontece quando o dinheiro perde valor e você precisa de mais reais para comprar as mesmas coisas.
O mais comum é que isso ocorra pelo aumento de custos. Se a padaria do bairro paga mais caro pela farinha, o pão francês sobe. Se a lanchonete vê o preço do queijo e da energia aumentar, o hambúrguer fica mais caro. E quando o combustível sobe, o transporte de tudo (comida, remédios, roupas) também pesa no preço final.
A inflação também pode ocorrer por causas externas, em que os nossos custos encarecem por causa de eventos ocorridos em outros países. Imagine que o Brasil importa trigo. Se o preço do trigo lá fora dispara, o macarrão, o pão e a pizza aqui dentro sobem também. O mesmo vale para eletrônicos: se o dólar aumenta, celulares e videogames ficam mais caros, mesmo antes de chegarem às lojas.
Como o governo pode fabricar seu próprio dinheiro, existe também um motivo importante para o aumento dos preços: quando ele imprime dinheiro demais. Se circula muito dinheiro ao mesmo tempo, mas a quantidade de produtos não cresce junto, os preços sobem porque todo mundo tem mais reais disputando as mesmas mercadorias.
No fim, a inflação afeta todo mundo: o lanche do adolescente fica mais caro, a aposentadoria do idoso rende menos e o orçamento da família aperta. Por isso, entender suas causas ajuda a perceber por que controlar os preços é tão importante para o dia a dia.
Além dessas causas, existe ainda um fator psicológico que pesa muito no bolso: as expectativas. A simples expectativa das pessoas sobre o aumento de preços com base em aumentos anteriores pode fazer com que eles subam constantemente, gerando um ciclo vicioso. Os economistas chamam esse efeito de “inflação inercial”. Os comerciantes, esperando custos maiores, já aumentam os preços. Diante do custo de vida maior, as pessoas negociam aumentos salariais, que serão repassados para os preços dos produtos vendidos e assim vai. Resultado: a inflação sobe justamente porque todos esperavam que ela subiria.
E quando há uma queda generalizada nos preços? Parece algo bom não é? Chamamos esse efeito de “deflação”. Apesar de parecer boa, muitas vezes significa que a economia está fraca. Se lojas baixam preços, provavelmente é porque ninguém está comprando. Isso pode indicar desemprego, queda de renda e empresas vendendo menos. Ou seja, preços caindo nem sempre são sinal de melhora.
Em resumo, entender esses movimentos ajuda a perceber por que controlar a inflação é essencial para o bolso de todos: do lanche do adolescente ao orçamento do aposentado.
*Alexandre Angélico
Instagram: @alexandreangelico
*Alexandre Angélico é Economista formado pela USP e Mestre em Economia dos Mercados pelo Mackenzie.



