Por Marize Reges
Essa é uma pergunta incômoda — mas necessária.
A ideia de que mulheres deveriam naturalmente se apoiar ignora um ponto importante: nós fomos, por muito tempo, ensinadas a competir.
Durante gerações, o espaço feminino foi limitado. Menos oportunidades, menos voz, menos reconhecimento. E quando há pouco espaço, nasce a sensação de escassez — como se o sucesso de uma significasse automaticamente a exclusão da outra.
Some a isso padrões impostos desde cedo: comparação estética, disputa por validação, necessidade de aprovação. Muitas mulheres cresceram ouvindo, ainda que de forma sutil, que precisavam ser “melhores que outras” para serem vistas.
E isso não desaparece com a idade. Apenas muda de forma.
A competição, muitas vezes, não vem de maldade — vem de insegurança, de histórias não resolvidas, de uma autoestima que ainda depende do olhar externo. É uma defesa silenciosa: ao diminuir a outra, por alguns instantes, parece que se eleva.
Mas esse modelo já não sustenta mais.
Hoje, cada vez mais mulheres estão percebendo que apoio não diminui ninguém — ao contrário, fortalece todas. Quando uma mulher aplaude a outra, ela também se posiciona como alguém segura de si, consciente do seu valor.
Existe espaço. Existe voz. Existe reconhecimento — e ele não precisa ser disputado, pode ser compartilhado.
Talvez a pergunta mais poderosa não seja “por que algumas competem?”, mas sim:
que tipo de mulher eu escolho ser diante de outra mulher?
Porque é nessa escolha diária que a cultura muda — de dentro para fora.



