Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
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Setembro chegou trazendo novamente a campanha de prevenção ao suicídio e um convite importante: falar sobre saúde mental. E quando pensamos na saúde mental materna, essa conversa precisa começar antes de qualquer situação de crise, porque nem sempre o sofrimento aparece de forma evidente.
Ao longo dos meses em que estou publicando matérias sobre a saúde mental materna, tenho chamado a atenção aos sinais que podemos reconhecer:
naquele “estou cansada demais”;
na vontade de se afastar de todo mundo;
na culpa por sentir que não está conseguindo dar conta;
na ansiedade que não passa;
na sensação de não se reconhecer mais; ou
naquele “está tudo bem”, quando, por dentro, a mulher está pedindo ajuda.
A gestação, o parto e a chegada de um filho são períodos de grandes transformações, podem ser vividos com alegria e, ao mesmo tempo, acompanhados de medo, insegurança, exaustão e sofrimento emocional. A Organização Mundial da Saúde estima que quase 1 em cada 5 mulheres vivencie alguma condição de saúde mental durante a gestação ou no primeiro ano após o nascimento do bebê. Esse dado nos lembra que falar de saúde mental perinatal não é exagero e nem procurar problemas onde eles não existem, é prevenção.
E prevenção começa quando aprendemos a reconhecer os sinais. Quando uma mulher deixa de sentir prazer pelas coisas que antes gostava, apresenta tristeza ou ansiedade persistentes, culpa intensa, desesperança, isolamento ou pensamentos relacionados à morte, isso merece atenção profissional. Os pensamentos de morte ou suicídio estão entre os sinais de alerta da depressão pós-parto.
A campanha Setembro Amarelo, foca na prevenção, o que podemos fazer antes de chegar a uma situação crítica? Nos últimos meses, tenho convidado você leitor a refletir sobre a importante de perguntar como essa mulher está, de forma genuína, escutar como tem sido a experiência da maternidade, se tem alguma coisa que está difícil demais? E como pode ajudar? As perguntas parecem simples, mas podem abrir uma porta.
A rede de apoio também faz parte da prevenção, sabemos que não é possível resolver o sofrimento de alguém, mas podemos ajudar a pessoa a não enfrentá-lo sozinha. Podemos oferecer presença, dividir tarefas, respeitar o tempo daquela mãe e, principalmente, levar seu sofrimento a sério.
E existe uma diferença importante entre acolher e minimizar. Dizer “toda mãe passa por isso”, “é só uma fase” ou “você precisa ser forte pelo bebê” pode fazer uma mulher esconder ainda mais aquilo que está sentindo. Cuidar da saúde mental materna também é reconhecer que pedir ajuda não diminui a capacidade de uma mulher, de uma mãe ou de uma família.
Neste Setembro Amarelo, quando falamos sobre prevenção do suicídio, é importante que fique a mensagem que precisamos ter atenção sobre aquilo que acontece muito antes da crise: a possibilidade de escutar, reconhecer sinais, oferecer apoio e facilitar o acesso ao cuidado. Porque saúde mental não deveria ser lembrada apenas quando alguém chega ao limite, neste momento já estamos lidando com o adoecimento mental. Temos a oportunidade de promover a saúde mental materna durante o pré-natal, no pós-parto, da parentalidade, nas relações familiares e na nossa vida cotidiana.
E espero que você lembre uma das formas mais simples de começar seja prestar atenção quando alguém diz: “Eu não estou bem.” Que a nossa resposta não seja apressada, que seja com presença, escuta e cuidado. E, quando necessário, busque ajuda profissional.
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



