*Por Dr. Julio Cesar
@nagshimajulio
Eles não conseguem dizer que estão cansados, que falta ar ou que algo não vai bem. Mas, muitas vezes, o corpo dá sinais — e reconhecê-los pode fazer a diferença.
Neste Dia de Finados, enquanto muitas pessoas lembram com saudade daqueles que já partiram, também vale refletir sobre os laços que construímos com nossos animais. Quem já perdeu um pet sabe que a despedida deixa um vazio difícil de explicar.
Na rotina veterinária, existem histórias que permanecem conosco. Casos assim nos lembram de uma realidade importante: algumas doenças evoluem silenciosamente, e perceber os sinais de alerta pode ser fundamental para buscar ajuda no momento adequado.
O que é a doença da válvula mitral?
O coração possui válvulas que ajudam o sangue a circular na direção correta. Uma delas é a válvula mitral, localizada entre duas câmaras do lado esquerdo do coração.
Em muitos cães, especialmente os de pequeno porte e idosos, essa válvula pode sofrer alterações degenerativas. Quando deixa de fechar adequadamente, parte do sangue retorna para a câmara anterior, provocando o chamado refluxo ou regurgitação mitral.
Com a progressão da doença, o coração pode sofrer sobrecarga e, em alguns pacientes, desenvolver insuficiência cardíaca congestiva, condição em que pode ocorrer acúmulo de líquido nos pulmões.
É importante saber que nem todo cão com alteração na válvula mitral desenvolverá insuficiência cardíaca, e a evolução varia de um animal para outro. Por isso, o acompanhamento veterinário faz diferença.
Quais sinais merecem atenção?
No começo, alguns animais não demonstram sinais evidentes. Em outros casos, o tutor pode perceber mudanças discretas, como:
Cansaço maior durante passeios ou brincadeiras.
Tosse persistente, especialmente em cães que já possuem diagnóstico cardíaco.
Respiração mais rápida ou com esforço, mesmo em repouso.
Diminuição da disposição para atividades habituais.
Desmaios ou episódios de fraqueza.
Esses sinais não significam necessariamente que o animal tenha uma doença cardíaca, pois também podem ocorrer em outras condições. Entretanto, merecem avaliação profissional.
Se o pet apresentar dificuldade para respirar, procure atendimento veterinário de emergência. Não espere para ver se melhora sozinho.
O que o tutor pode fazer?
Consultas regulares permitem que o médico-veterinário avalie o coração e identifique alterações que talvez ainda não sejam percebidas em casa. Conforme os achados clínicos, podem ser indicados exames como ecocardiograma, radiografias e outros testes.
Quando existe uma doença cardíaca, o tratamento depende do estágio e das condições individuais do paciente. Alguns animais precisam apenas de acompanhamento periódico; outros necessitam de medicamentos e monitoramento mais próximo.
Não medique seu pet por conta própria e não suspenda um tratamento sem orientação veterinária.
Amar também é perceber os sinais
A perda de um animal querido deixa saudade, mas também nos ensina sobre responsabilidade, presença e cuidado. No Dia de Finados, lembrar daqueles que partiram pode ser também uma oportunidade de olhar com mais atenção para os que continuam ao nosso lado. Observar mudanças, manter as consultas em dia e procurar ajuda diante de sinais incomuns são atitudes que demonstram amor.
Nem sempre conseguimos mudar o desfecho de uma doença. Mesmo com diagnóstico, tratamento e dedicação, alguns pacientes não respondem como gostaríamos. Isso faz parte da difícil realidade da medicina veterinária. Mas podemos oferecer aos nossos animais a oportunidade de serem avaliados, tratados e acolhidos da melhor maneira possível.
Porque amar um pet é muito mais do que aproveitar os momentos felizes. É também cuidar, observar e estar presente quando ele mais precisa.
Neste Dia de Finados, que a saudade daqueles que partiram se transforme também em cuidado com aqueles que ainda compartilham a vida conosco.
*Julio Cesar é Médico Veterinário, especialista em Estética Animal, palestrante e terapeuta holístico. Atua na promoção da saúde e do bem-estar animal, com foco em medicina preventiva, comportamento e orientação de tutores.



