Relato de uma professora
Por Marcus Vinicius Peralva Santos
Bem vindos prezados leitores do Portal Som de Papo!
Hoje damos inicio a séria de entrevistas com professores de Salvador, e de outros estados, os quais relatarão um pouco das suas realizações e frustrações em suas atuações como professores. Iniciando nossas entrevistas, hoje apresentamos a história da professora Márcia (nome fictício), que atua como professora do ensino fundamental e médio em uma instituição pública de Salvador.
Pergunta 01 (Marcus Peralva): Por que você decidiu/optou por atuar na área da docência?
Professora Márcia: Sempre quis atuar como professora. Sempre tive o desejo de tornar os alunos em cidadões melhores, e para isto, teria que atuar como professora, onde daria o melhor de mim junto aos alunos.
Pergunta 02 (Marcus Peralva): Você percebe diferenças entre o perfil dos alunos na época que você era estudante e hoje enxergando sob o olhar docente (Como era e como é a relação professor-aluno)?
Professora Márcia: Com toda certeza. Na minha epoca de estudante, lá nos anos 70, nós respeitavamos nossos professores, mesmo se não gostassemos tanto deles. Acho que respeito é a palavra que define bem nosso perfil junto a eles. Hoje em dia vejo que esta relação se deteriorou completamente. Os alunos em sua maioria não tem respeito nenhum por nós professores, e eu, assim como outros professores fomos afredidos várias vezes por alunos em sala de aula.
Pergunta 03 (Marcus Peralva): Como você enxerga ser professor na atualidade? Antes e durante a pandemia do COVID-19? Você crer que as funções do professor mudaram bruscamente?
Professora Márcia: Eu já achava atuar como professora antes da pandemia, e agora ao meu ver a situação melhorou, pois não preciso ter o receio de que talvez eu seja agredida naquele dia, muito pelo contrario. Por aula online não tenho este problema. Que os alunos sentem grande dificuldade no ensino presencial é fato, mas a tendência é piorar com o ensino remoto, sendo que muitos não tem acesso a internet. Quanto as funções do professor, elas já eram grandes, mas agora quadruplicaram e não rcebemos nada a mais por isso.
Pergunta 04 (Marcus Peralva): Com a pandemia do COVID-19 vimos surgir a chamada “geração dos professores youtubers”, onde os professores passaram a criar perfis profissionais nas redes sociais para divulgação de saberes científicos. Você se encaixa neste perfil docente? Caso sim, relate sua experiência.
Professora Márcia: Não me encaixo neste perfil. Não tenho facilidade com o uso da internet, piorou em gravar material para disponibilizar em sites de vídeo (YouTube). Deixo isso aos professores mais novos.
Pergunta 05 (Marcus Peralva): Muito se tem escutado na mídia sobre o processo de precarização da educação no Brasil, tanto no ensino infantil, quanto no ensino superior. O que você pensa sobre isso? Você já passou por alguma situação, ou já escutou algum relato de um colega professor sobre esta situação?
Professora Márcia: Concordo plenamente que a educação vai de mal a pior. É triste ver que ano, após ano, a qualidade do ensino e o grau de educação dos alunos é pior ainda. Infelizmente temos que fingir que eles aprendem, pois é uma demanda atual da educação. Este é um descontentamento geral de nos professores.
Pergunta 06 (Marcus Peralva): Você se sente realizada como professor (a) na atualidade? Caso pudesse voltar no tempo, teria pretensão em optar pela docência novamente? Explique sua resposta.
Professora Márcia: Me sinto totalmente frustrada. Se pudesse voltar no tempo, com certeza não faria licenciatura novamente. A falta de respeito é grande hoje em dia anos professores. No inicio eu tentava convencer os alunos a aprenderem explicando a necessidade do conhecimento para o futuro profissional deles, mas a partir do momento que levei uma bofetada na cara de um aluno, situação esta que se repetiu outras vezes, existindo situações piores, decidi não mais colocar minha integridade física em risco. Agora é…. quer aprender? Aprenda, não quer aprender? Sem problema, siga com o que você quer fazer.
Este é o nosso relato de hoje e agradecemos a professora Márcia (nome fictício) por compartilhar suas experiências conosco. No próximo sábado voltamos com um relato de um novo professor.
Não perca!
@oprofessormarcusperalva



