Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
WhatsApp: (11) 91169-1479
No dia 15 de agosto, celebramos o Dia da Gestante. Uma data que nos convida a olhar para a mulher que está vivendo uma das maiores transformações de sua vida. Mas, quando falamos em cuidado durante a gestação, ainda é comum pensarmos primeiro nos exames, no acompanhamento médico, na alimentação e no desenvolvimento do bebê. E existe uma parte desse cuidado que também precisa estar presente desde o início: a saúde mental. A gestação pode ser desejada, planejada e vivida com muita alegria. Mas isso não significa que a mulher estará feliz o tempo todo.
Medo, ansiedade, insegurança, preocupação com o parto, mudanças no corpo, dúvidas sobre a maternidade e receio diante das transformações que estão por vir também podem fazer parte dessa experiência. E falar sobre essas emoções não significa transformar toda gestação em um problema, pode significa criar espaço para que a mulher possa compreender o que está sentindo e buscar ajuda quando precisar.
A própria Organização Mundial da Saúde destaca a importância da atenção à saúde mental durante a gestação e o pós-parto. Estimativas apontam que aproximadamente 1 em cada 5 mulheres pode vivenciar uma condição de saúde mental durante a gestação ou no primeiro ano após o nascimento do bebê. No Brasil, o próprio Ministério da Saúde orienta que o pré-natal considere os aspectos psicossociais da gestação e desenvolva ações educativas e preventivas. Perguntar “como você está se sentindo?” também deve fazer parte do cuidado. E essa responsabilidade não é apenas dos profissionais de saúde.
A família pode oferecer escuta.
O marido pode oferecer escuta.
Os amigos podem oferecer escuta
E as empresas também têm um papel importante.
Uma gestante não deixa suas emoções na porta da empresa quando começa o expediente. Ela continua sendo uma pessoa que está passando por uma grande transição de vida, conciliando expectativas, mudanças físicas, emocionais e, muitas vezes, preocupações profissionais e financeiras.
Por isso, falar sobre saúde mental no ambiente de trabalho também é falar sobre prevenção, acolhimento e condições mais saudáveis para trabalhar. Esse debate ganhou ainda mais espaço no Brasil este ano, com a entrada em vigor da nova redação da NR-1, que passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais.
A psicoeducação também é prevenção. É ensinar a reconhecer emoções, compreender que sentimentos diferentes podem coexistir, identificar sinais de sobrecarga e saber quando é importante procurar ajuda.
Neste Dia da Gestante, fica uma reflexão:
Se acompanhamos o crescimento do bebê durante nove meses, por que não acompanhar também como essa mulher está emocionalmente? Cuidar da gestação é cuidar do bebê, mas também é cuidar de quem está vivendo essa transformação. E saúde mental não deveria ser um assunto lembrado apenas quando algo dá errado.
Como psicóloga perinatal e profissional da saúde mental feminina, acredito que oferecer informação, escuta e acolhimento durante a gestação é também uma forma de prevenção. Porque cuidar emocionalmente hoje pode fazer diferença não apenas para a mulher, mas para toda a família que está começando uma nova história. ___________________________________________________________________________________
Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



