Por Dra Thayse Santos
@veridiana.mediciapericial
@dra.thaysesantos
Nem todo acidente termina quando o tratamento acaba. Às vezes, a fratura consolida, a cirurgia é realizada, a fisioterapia termina e, ainda assim, alguma coisa permanece. Pode ser uma redução de força, uma limitação de movimento, uma alteração neurológica, uma dor persistente ou uma dificuldade para realizar determinadas atividades. É nesse momento que surge uma palavra muito importante na Medicina Pericial: sequela.
Sequela é uma alteração que permanece após a estabilização de uma doença ou lesão. Ela pode ser pequena ou significativa e pode ter diferentes repercussões na vida de uma pessoa. Mas existe uma confusão bastante comum: Ter uma sequela significa estar incapacitado para o trabalho?
Não necessariamente.
Uma pessoa pode apresentar uma sequela e continuar exercendo sua profissão normalmente. Em outros casos, a sequela pode reduzir sua capacidade para determinadas tarefas ou até impedir o exercício daquela atividade. Tudo depende da relação entre a limitação apresentada e as exigências concretas do trabalho. Imagine um trabalhador que sofreu uma fratura no braço e permaneceu com alguma redução da mobilidade. Se sua atividade exige esforço físico intenso e movimentos repetitivos daquele membro, a repercussão pode ser significativa. Para outra pessoa, que exerce uma atividade predominantemente administrativa, a mesma sequela pode ter impacto muito menor.
Por isso, a avaliação pericial não deve perguntar apenas: “Existe uma sequela?”
É preciso perguntar: “O que essa sequela representa funcionalmente para essa pessoa?”
A perícia pode avaliar a extensão da lesão, a evolução clínica, os tratamentos realizados, os achados do exame físico e as limitações funcionais apresentadas. Também é fundamental compreender a atividade profissional exercida. Afinal, capacidade não existe no vazio. Ela precisa ser analisada em relação às tarefas que o indivíduo efetivamente realiza.
Uma sequela pode não impedir uma pessoa de trabalhar, mas pode exigir adaptações, limitar determinadas atividades ou reduzir sua capacidade para algumas tarefas específicas. Essa diferença é fundamental. Porque uma lesão pode cicatrizar sem que o corpo volte exatamente às condições anteriores ao acidente.
E compreender o que permaneceu depois da lesão é uma das importantes tarefas da Medicina Pericial.
Dra. Thayse Santos, é médica especialista e atuante nas áreas de Perícia Médica Judicial, saúde mental, beleza e qualidade de vida. Atua como perita médica junto ao Poder Judiciário, realizando avaliações técnicas em processos judiciais com enfoque ético, humanizado e baseado em evidências científicas.
Esta coluna busca aproximar o público do universo da perícia médica por meio de uma linguagem clara, acessível e acolhedora, traduzindo temas técnicos para o cotidiano das pessoas.



