Por Viviane Wroblewski
@vivi_missao_financas
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Ser controller já é, por si só, uma função que exige responsabilidade, organização e visão estratégica. Quando somamos a isso o papel de mãe, a realidade ganha uma nova dimensão.
Conciliar essas duas jornadas não é simples. A rotina da controladoria envolve prazos, análises, tomada de decisão e acompanhamento constante dos números. É uma função que exige atenção, disciplina e previsibilidade. Já a maternidade não segue planilha. Filhos demandam tempo, energia, presença e, muitas vezes, imprevisibilidade.
O maior desafio está justamente no equilíbrio. Equilibrar a profissional que precisa entregar resultado com a mãe que quer estar presente. E, na prática, isso significa lidar com culpa, pressão e a sensação constante de estar dividida.
Dentro das empresas, a área de controladoria é vista como estratégica. Espera-se precisão, clareza e segurança nas informações. Para a mulher que é mãe, essa cobrança muitas vezes é ainda maior. Existe uma necessidade constante de provar que é possível manter o nível de entrega mesmo com todas as responsabilidades fora do ambiente corporativo.
E é nesse ponto que surgem decisões difíceis, reais, que não aparecem em nenhum relatório. Como, por exemplo, escolher entre viajar para resolver uma situação importante da empresa ou ficar, porque seu filho ainda tem 8 meses.
Decidir ir é difícil, é doloroso e, muitas vezes, parece torturante. Mas é importante ter clareza: isso não vai causar nenhum trauma no bebê. Quem sente o peso dessa decisão são os adultos. Por isso, ela precisa ser muito bem pensada, muito bem conversada com quem está ao seu redor, com apoio e consciência.
Agora, se a decisão for não ir, a pergunta também precisa ser feita: para você, isso vai ser mais doloroso? Qual é o impacto dessa escolha? O que eu faria nessa situação é buscar uma alternativa. Nem sempre a decisão precisa ser extrema. Muitas vezes, o caminho está no meio — ajustando, negociando, encontrando outra forma de resolver.
Apesar de todos os desafios, a maternidade desenvolve habilidades que impactam diretamente a atuação na controladoria. Uma mãe aprende, na prática, a priorizar o que realmente importa, tomar decisões rápidas, lidar com pressão, organizar rotinas e enxergar além dos números.
Essas competências fazem diferença. A maternidade não enfraquece a profissional. Ela fortalece a capacidade de gestão.
Ser mãe e ser controller é viver entre o controle e o imprevisível. É lidar com números durante o dia e com a vida real fora deles. Não é fácil, mas é possível. E mais do que isso, forma profissionais mais completas, mais conscientes e mais preparadas para tomar decisões — dentro e fora da empresa.
No fim, não se trata de dividir papéis. Se trata de integrar experiências e transformar isso em valor.
Viviane Wroblewski, colunista de controladoria no portal Som de Papo, mais de 15 anos de experiência em finanças, proprietária do escritório Missão Finanças Serviços de Contabilidade e Finanças.



