Por Paulinho Goetze
@paulinhogoetze
Na última segunda-feira, dia 26 de outubro, foi aniversário do enorme Milton Nascimento, o nosso Bituca. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, ele não é mineiro. Milton nasceu no Rio de Janeiro em 26 de outubro de 1942 em uma favela da Tijuca, filho de uma empregada doméstica que fora abandonada grávida por seu primeiro namorado. Sua mãe morreu de tuberculose quando Milton tinha 2 anos de idade e ele então foi entregue aos avós. Uma das duas filhas da família para a qual sua avó trabalhava estava recém-casada e não conseguia engravidar. Como ela havia se apegado muito a Milton propôs adotá-lo, o que foi aceito pela avó dele, desde que o trouxesse para visitar e que não fosse trocado o nome escolhido por sua mãe biológica. Assim foi feito e a nova família se mudou para Três Pontas, em Minas Gerais. Ele teve ainda mais três irmãos, sendo um irmão e uma irmã adotivos, e uma irmã, filha biológica do casal que o adotou.
Em 1967, Milton entrou em estúdio para gravar seu primeiro álbum, nada menos do que “Travessia”, um clássico inegável da nossa música popular brasileira. O disco foi gravado com o grupo Tamba Trio e trouxe na contracapa o seguinte relato: “Milton Nascimento entrou no estúdio acompanhado pelo ‘Tamba Trio’, no Rio de Janeiro, em 1967, para gravar seu primeiro disco. O encontro de ‘Milton & Tamba’ com os arranjos de Luizinho Eça fazem de ‘Travessia’ um álbum definitivo e eternamente moderno.” Neste disco, além da música título que até hoje é uma das mais conhecidas do repertório impecável de Milton (Solto a voz nas estradas, já não quero parar / Meu caminho é de pedra, como posso sonhar / Sonho feito de brisa, vento vem terminar / Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar), também foi gravada “Canção do Sal”, registrada por Elis Regina em 1966.
Na pensão em que morava, já na capital mineira, conheceu os irmãos Borges e dos encontros que aconteciam na esquina da rua Divinópolis com a rua Paraisópolis no bairro de Santa Tereza, começaram a surgir muitas músicas como “Trem Azul” e “Nada Será Como Antes”. Se uniram a eles os músicos Flávio Venturini, Fernando Brant, Beto Guedes, Toninho Horta e Tavinho Moura, dando origem então ao conhecido – e aclamado – Clube da Esquina, que gravaram seu primeiro álbum em 1972 e o segundo em 1978. Ambos são clássicos. Milton ainda gravou um LP nos Estados Unidos, em 1968, chamado “Courage”, a convite de Eumir Deodato e que trazia a canção “Bridge”, versão em inglês de “Travessia”.
Durante a sua trajetória, Milton colecionou prêmios e homenagens. Ele recebeu 5 prêmios Grammy e inclusive venceu a categoria de melhor CD World Music em 1997 com o álbum “Nascimento”. Nesse trabalho há a canção “Rouxinol” em parceria com Chico Buarque. Foi lançado no mesmo ano em que foi acometido de uma anorexia nervosa que debilitou a sua saúde e o fez emagrecer muito. Boatos dessa época diziam que o cantor havia contraído AIDS. Em 1983 viajou o Brasil com o espetáculo “O Grande Circo Místico” ao lado de seleto grupo de intérpretes da MPB. Por falar nisso, um dos atuais trabalhos de Milton é um disco em parceria com Criolo lançado no início deste ano, o que demonstra a renovação do público, mas também de sonoridades e referências.

Esta coluna não dá conta de tudo o que Milton Nascimento fez e faz pela nossa música no mundo. Você que está lendo agora, com certeza, tem pelo menos 3 músicas que ama e que são de autoria de Milton (e talvez você nem saiba). Só pra citar algumas das mais conhecidas: “Maria Maria”, “Canção da América”, “Coração de Estudante”, “Encontros e Despedidas”, “Paula e Bebeto”, “Ponta de Areia”, “Nos Bailes da Vida”, “Caçador de Mim”, “Bola de Meia, Bola de Gude”, “Cálix Bento”, “Coração Civil”, “Mania de Você…
Viva Milton, orgulho da nossa MPB.
Que possamos sempre ouví-lo, apreciá-lo, reverenciá-lo…
Até a próxima quarta!
Fontes:
Imagem 1: Site Noize, publicado em 29 de julho de 2020
Imagem 2: Site Tenho Mais Discos Que Amigos, publicado em 24 de abril de 2020



