Por Ramon Henrique
É a violência contra quem não vive o gênero que foi imposto ao nascer, é diferente de homofobia.
Homofobia ataca quem você ama. transfobia ataca quem você é. uma mulher trans hétero pode apanhar na rua sem dizer uma palavra.
Um homem trans gay pode ser demitido quando a voz muda.
Na prática, transfobia é obstáculo desde cedo.
É a criança proibida de brincar, o adolescente expulso de casa por usar o nome social, a escola que se recusa a chamar pelo nome certo e depois culpa o aluno por sair.
Sem escola, o mercado formal fecha. Sem emprego, sobra a informalidade.
Por isso a expectativa de vida de travestis e mulheres trans no Brasil fica em torno de 35 anos.
O país lidera o ranking de assassinatos de pessoas trans há mais de 14 anos, são mais de 130 mortes por ano só nos casos notificados.
Tem também a morte que não vira número, é o suicídio na espera do SUS, é a hormônio aplicado em casa porque médico é caro, é o corpo que adoece quando a saúde pública falha.
Transfobia é diária. É o nome morto no cartão, a entrevista que muda quando veem o RG, o segurança que segue na loja, a pergunta invasiva sobre cirurgia.
É tratar identidade como opinião.
Combater isso é básico. É respeitar nome e pronome é garantir banheiro seguro, emprego com carteira, atendimento médico sem interrogatório.
Pessoa trans não transitiona pra incomodar. Transitiona pra conseguir existir.
Transfobia tenta convencer que tem gente que não devia estar aqui.
Gente trans segue estando trabalhando, estudando, criando, vivendo, o antídoto não é tolerância.
É convivência. Direito não acaba quando o outro tem acesso também.
Texto: Ramon Henrique
Instagram:@ramonhenriquee
Crédito Fotográfico: coletivo de gênero
Fonte: UOL/Terra/revista Veja/ANTRA – Associação Nacional de Travestis e Transexuais.



