Por Jéssica Monteiro Lima
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O luto não precisa ser vencido, precisa ser acolhido.
No último dia 15 de outubro, o mundo voltou o olhar para a conscientização da perda gestacional, neonatal e infantil. Uma data que nos convida a falar sobre perdas que, muitas vezes, são vividas em silêncio. Quando um bebê morre durante a gestação, no nascimento ou depois dele, não se perde apenas uma presença, ficam para trás os planos imaginados, os sonhos construídos, as expectativas e tantas experiências que a família esperava viver. E, junto com a dor, podem surgir perguntas, culpa, raiva, vazio e a sensação de que o mundo continuou enquanto tudo mudou por dentro.
Não existe um prazo para o luto, nem uma maneira única de vivê-lo. Algumas pessoas precisam falar sobre o bebê; outras precisam de silêncio. Algumas encontram conforto nas lembranças, enquanto outras precisam de tempo para se aproximar delas. O luto não é uma prova que precisamos vencer, mas uma experiência que merece ser reconhecida e acolhida, por isso, precisamos ter cuidado com frases como “você precisa seguir em frente”, “pelo menos foi no início da gestação” ou “você ainda pode ter outro filho”. Mesmo quando ditas com boa intenção, elas podem minimizar uma dor que precisa de espaço, não de comparação. Às vezes, acolher é dizer: “Sinto muito pela sua perda. Estou aqui com você”. É lembrar que aquele bebê tem uma história e que aquela família precisa de apoio, mesmo quando não sabe como pedir.
O parceiro, os familiares e os amigos também podem viver esse luto, cada um à sua maneira. Oferecer escuta, respeitar o tempo de cada pessoa e não exigir que todos reajam da mesma forma são atitudes importantes de cuidado.
A psicoterapia pode ser um espaço seguro para falar sobre a perda, elaborar sentimentos, lidar com a culpa e encontrar maneiras de atravessar os dias sem precisar esconder a dor. Buscar ajuda não significa que a pessoa esteja vivendo o luto de forma errada. É uma possibilidade de receber apoio em uma experiência profundamente difícil.
Se você está vivendo um luto neste momento, quero deixar uma mensagem importante, você não precisa apagar a saudade para continuar vivendo, não precisa esquecer para seguir adiante. Você precisa de espaço para sentir, de pessoas que respeitem a sua história e de cuidado para atravessar o que aconteceu.
Uma perda não precisa ser esquecida para que a vida continue, e nenhuma família deveria precisar viver seu luto em silêncio.
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



