Por Ramon Henrique
É a decisão diária de não soltar a mão de ninguém. A sigla cresceu porque o mundo tentou nos diminuir e a resposta foi caber mais gente, não menos.
Lésbicas, gays, bissexuais, trans e travestis, queers, intersexo, assexuais, pansexuais, não-bináries e o mais que vem depois do mais.
Cada letra carrega uma história diferente de violência e de afeto, e nenhuma delas se anula.
A dor de uma lésbica demitida por amar outra mulher não é igual à de um homem trans barrado no banheiro, e a vivência de uma pessoa assexual invalidada não é a mesma de uma travesti expulsa de casa aos treze anos.
Mas o mecanismo que tenta apagar a gente é o mesmo, só muda o alvo da vez.
Por isso a união não é sobre concordar em tudo. É sobre entender que liberdade só existe se for pra todo mundo.
É o gay que marcha pela retificação de nome de pessoas trans, é a bi que segura a pauta lésbica quando tentam silenciar, é a travesti que oferece o sofá pro jovem pan que a família rejeitou.
União LGBTQIA+ é prática e acontece longe de palco.
É indicar emprego, é corrigir pronome mesmo sem plateia, é não rir da piada, é votar pensando em quem não pode se defender sozinho, é buscar o amigo quando a depressão.
Sozinhos a gente sangra e resiste. Juntos a gente transforma a sobrevivência em projeto de futuro.
No fim, é isso: fizeram de tudo pra que a gente se sentisse sozinho no mundo. A gente respondeu criando uma rede onde ninguém fica pra trás.
Texto: Ramon Henrique
Instagram:@ramonhenriquee /rh_noticia
Crédito Fotográfico: coletivo de gênero
Fonte: UOL/Terra/revista IstoÉ/ Revista _Signs: Journal of Women in Culture and Society



