Por Psicóloga Clínica Viviane Romanio
Especializada em Saúde Mental.
Olá!
Hoje vamos falar um pouco sobre o sentimento de pertencer ou se encaixar para caber em uma relação, um contexto.
Vamos começar falando sobre o que é se encaixar, tentar se encaixar e por que isso machuca tanto?
Tentar se encaixar é quando você muda quem você é para ser aceito, é quando você lê o ambiente, percebe o que determinado grupo valoriza e aí você se adapta.
Na verdade, não é ser você, é como ser editada, entende?
Se encaixar é quando você pensa: “eu preciso ser de um jeito especifico para me encaixar nesse contexto, para que as pessoas gostem de mim aqui.
E aí eu te pergunto? E a sua autoestima? Onde foi parar? Porque o encaixe funciona assim: “eu só recebo afeto e atenção se eu performar de tal maneira. Ou seja, só pertenço a um contexto se abrir mão de parte do que penso, desejo, minha vontade própria, meu eu.
Isso é muito frustrante. Você acaba concordando, discordando, por forçar um interesse em conversas que não te representam.
Acaba se desculpando o tempo inteiro por coisas que nem são de sua responsabilidade, interpretando e colocando em dúvida a todo momento a sua personalidade.
E pior e mais triste é quanto mais você tenta se encaixar, mais se sente isolada (o), perdida (o), sozinha (o).
Agora vamos falar sobre pertencimento.
Pertencer é quando você pode ser quem você é! Com seus defeitos, dúvidas, medos, limites, ou seja, com todas as suas vulnerabilidades e mesmo assim você se sente aceita e vista como alguém digno de amor e de respeito.
Pertencer é leveza, se encaixar é pesado, cansativo.
Pertencer te aproxima dos outros e de você mesma, encaixar te esvazia.
Pertencer amplia seus relacionamentos, encaixar te poda de ser quem você verdadeiramente é.
O pertencimento verdadeiro ele só existe quando você não precisa se esconder.
E o ponto mais importante é se esconder de quem você é. Pois para pertencer a uma relação, grupo ou até mesmo um propósito, primeiro você precisa pertencer a si mesmo. Não existe pertencimento verdadeiro sem consciência de quem você é.
O pertencimento vai muito além de implorar amor, para se moldar ao contexto de outras pessoas, grupos ou relacionamentos. É estar consigo mesmo sem precisar fugir da tua própria presença.
E por que aprendemos a se encaixar? Até porque não nascemos adultos e perguntando: Eu vou me encaixar ou me moldar para pertencer a algo.
Talvez você tenha aprendido esse comportamento desde cedo, como uma forma de sobrevivência emocional, se encaixando para caber em um mundo, para não ser julgada, desagradar, mostrar quem você é de verdade.
E você sabe os impactos emocionais de viver tentando se encaixar?
A solidão é uma delas, ou quem sabe a pior, pois corrói aos poucos sua autoestima. Quando você se comporta de forma a só agradar aos outros, isso cansa. Fingir emoções que não são verdadeiras, isso desgasta a autoconfiança. Você precisa o tempo todo se validar, pois nem você acredita em você mesmo.
Muito sério né?! A sensação de vazio, está muito ligada ao sentimento de pertencer ou simplesmente se encaixar.
Se você se “encaixou” de alguma forma nesse cenário, calma! Vamos agora falar um pouco sobre como sair dele, para construir um contexto de pertencimento saudável.
Primeiro comece observando, onde você se encolhe. Faça essa pergunta: Em quais ambientes eu estou me diminuindo para caber nesse mundo? No trabalho, na família? No meu relacionamento? Ou nas redes sociais?
É muito importante saber identificar esse seu eu editado, sem vontade própria.
O primeiro passo seria se autenticar, começar dizendo: Olha eu penso diferente, admitir que você não está bem. Parar de rir quando não achou graça. Não inventar desculpas para não ir, só dizer não quero ir e pronto.
É poder fazer suas próprias escolhas, sem ter sempre que agradar. É saber dizer não e mesmo assim, ainda continuar a pertencer aquele grupo, aquela família, ser respeitado no trabalho, no relacionamento.
No começo será difícil, doido, mas mudar dói mesmo. Mudar requer esforço, mas uma certeza posso te garantir, valerá muito a pena.
Pois, pertencer também é permitir-se errar sem se excluir. Ou seja, você pode pertencer em se moldar a forma como o outros pensam ou agem.
Pense nisso e sempre que necessário, procure reconhecer e validar seus sentimentos, uma boa dica é exercer a autocompaixão.
Na terapia Cognitivo Comportamental, trabalhamos com a mudança de comportamentos, pensamentos e emoções. Ajudando a identificar e modificar padrões que geram sofrimento psicológico.
Muito prazer! Eu sou Viviane Romanio, psicóloga clínica, pós graduada em Saúde mental e abordagens cognitivas pelo Hospital Albert Einstein de São Paulo e pós graduanda em TCC – Terapia Cognitivo Comportamental pelo Instituto Cognitivo de Porto Alegre. Meus atendimentos são presenciais e online em todo Brasil e atendo também brasileiros pelo mundo. O meu público são adolescentes, jovens, adultos, casais e terceira idade.
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Referência: Podcast Psicologia na prática – Psicóloga Alana Ninjassa.



