Por Karina Gubernati
@arquitetakarinag
A iluminação em ambientes internos vai muito além de simplesmente clarear um espaço — ela é uma das principais responsáveis por moldar a experiência, a percepção e o bem-estar das pessoas dentro dele.
Desde os primórdios, temos uma relação de interdependência com a luz. Saíamos para caçar, pescar, etc. dependendo da luz solar. Essa relação influenciou aspectos fisiológicos humanos, como o sistema endócrino, por exemplo. Algumas funções biológicas do nosso corpo dependem das informações trazidas pela luz natural, que se modificam ao longo do dia. É o que chamamos de ciclo circadiano.
O ciclo circadiano vai do nascer ao pôr-do-sol. Em 24 horas, a luz se apresenta de diversas maneiras, formando esse ciclo. Um bom projeto de iluminação leva em conta esse período, onde o ideal é que tenhamos a luz o mais parecida possível do ciclo natural, onde podemos resumir de uma forma simplificada:
– Nascer do sol: luz mais “amarela” do dia, em torno de 2000 kelvins
– Ao meio dia: luz mais “branca” do dia, em torno de 6000 kelvins
– Pôr do sol: volta a luz “amarela”, em torno de 2000 kelvins
Na prática, devemos ter contato com a luz quando acordamos e fazer uso de pouca luz e/ou de luz amarela à noite. Isso, porque a luz da manhã estimula a produção de cortisol, o hormônio que nos deixa despertos, e ao anoitecer, inicia-se a produção de melatonina, hormônio que induz ao relaxamento e ao sono.
Hoje, já sabemos que a luz branca, em torno de 6000 a 6500 kelvins, só deve ser utilizada em ambientes de trabalho que necessitem de muito foco e concentração, como centros cirúrgicos, laboratórios, etc. Em residências, a luz branca não se faz necessária.
Muitas pessoas acham que quanto mais branca a luz, ela ilumina mais. Mas, isso é um mito – a cor da luz não interfere na sua intensidade. O que vai definir a quantidade maior de fluxo luminoso são os lumens e não os kelvins (temperatura da cor)
Uma luz mais quente, mais “amarela” tende a transmitir conforto e intimidade. Ideal para ambientes residenciais de descanso, ou para situações que pedem um aconchego, uma intimidade. Por exemplo, em alguns tipos de cafeterias e restaurantes, onde há a intenção de maior permanência dos usuários.
Outro ponto importante é a sensação de bem-estar emocional. Um espaço com um projeto de iluminação adequado reduz o estresse, aumenta a sensação de segurança e contribui para uma experiência mais agradável no dia a dia.
Por fim, um bom projeto de iluminação também considera eficiência energética e sustentabilidade, utilizando tecnologias como LED e sistemas de automação para otimizar o consumo.
Investir em iluminação é investir em saúde, conforto e qualidade de vida. É transformar espaços em experiências — e isso faz toda a diferença na forma como vivemos e sentimos os ambientes.
Sou arquiteta, especialista em Design Biofílico e Neuroarquitetura, com vários ambientes transformados.
– Projeto escritórios e ambientes com bem-estar, foco e retorno real.
Karina Gubernati
Contato:(11) 99176-1876


