* Por Poetisa Thaisy Moraes
@thaisymoraespoetisa
Caro leitor, quais informações atualizadas você possui acerca de marcas? Você sabe, acredito, que nem sempre, marcas têm cicatrizes. Às vezes, elas são apenas um arranhão, que se cura com o passar do tempo assim como uma dor de barriga causada por algum alimento indigesto. Como você tem lidado com elas, no dia de hoje? Quais lhe enchem de orgulho? Quais lhe coram a face? Nem sempre, elas ficam para sempre. Às vezes, vão embora como num passe de mágica. Cicatrizes, estas sim, têm profundidade e são marcas expostas. Elas mostram as suas raízes, ainda que os nossos olhos insistam em afastar as vistas.
Existe, também, nobre amigo, uma peculiaridade nas cicatrizes: elas nem sempre são tratadas como deveriam. Nem sempre, você terá o cuidado de usar a melhor pomada. Raras vezes, você se lembrará de passar protetor solar para protegê-las dos raios solares. Poucas vezes, você se interessará pela redução da superfície ocupada por elas. Em sua maior parte, exceto quando se trata daquelas junto à face, você será negligente com as suas cicatrizes. E não é que você seja irresponsável. Eu não acredito nisso desta forma. Simplesmente, a ferida já fechou. A dor é inexistente ou quase isso. No máximo, um queloide insistente. Para quê, então, tamanho cuidado com algo sem tanta sensibilidade? Por qual motivo sondar tal acontecimento fisiológico, se este deu um jeito de pertencer, de se fazer um com o corpo?
Amigo, deixe-me ampliar os seus conhecimentos sobre as cicatrizes. Existem inúmeras situações que pioram o quadro. E nem todas as cicatrizes podem ser tratadas. E nem toda cicatriz deixará de existir. Eis, a verdade por trás de todas as cicatrizes! Agora, o que fazer com isso, já que omitir a verdade é retroceder nos assuntos relativos às cicatrizes? Quais procedimentos você deve adotar para viver livre destas marcas que causaram tanto transtorno enquanto feridas abertas? Como lidar com aquilo que mancha e que deforma? O que fazer com tantas cicatrizes? O que fazer com as marcas que a vida não nos permitiu curar? Aquelas marcas que a vida não nos autorizou suprimir? O que fazer com as marcas presentes no íntimo que não tiveram o alcance da consciência diligente?
É certo que toda cicatriz conta uma história e é real que toda história pode ser aperfeiçoada. Sendo assim, como você tem contado a sua história? Como tem lidado com as marcas que os anos lhe imprimiram? São tantas perguntas suspeitas! Mas, quantas respostas sinceras? Aproveito, desta forma, para deixar marcado aqui, e com letras registrado, o meu inconformismo escancarado como ferida aberta acerca das cicatrizes!
*Thaisy Moraes é servidora pública municipal responsável pelo setor de Patrimônio do Município de São Carlos/SC, biomédica formada pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), escritora e poetisa há 13 anos: “Escrevo há treze anos sobre tristezas e alegrias, e belezas e feiuras, tão presentes em nossa condição humana.”
** Este material possui imagem ilustrativa feita por Inteligência Artificial.



