Por: Clariana Grosso
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Durante muito tempo, o sofrimento psíquico relacionado ao trabalho foi tratado como fragilidade individual. Se alguém não dava conta, acreditava-se que faltava resiliência, disciplina ou até “força de vontade”. Hoje, porém, torna-se cada vez mais evidente que o problema não está apenas no sujeito — mas também nas condições às quais ele é submetido.
O trabalho, que poderia ser fonte de realização, pertencimento e construção de identidade, muitas vezes se transforma em um espaço de adoecimento silencioso. Metas inalcançáveis, jornadas extensas, cobrança constante por produtividade e a dificuldade de desconexão criam um cenário propício para o esgotamento emocional. Nesse contexto, o sujeito deixa de ser visto como alguém que produz e passa a ser tratado como aquilo que produz.
A lógica contemporânea valoriza a performance contínua. Estar ocupado virou sinônimo de importância, e descansar, por vezes, é acompanhado de culpa. Essa inversão de valores fragiliza a saúde mental porque desconsidera os limites humanos. Não somos máquinas — e, ainda assim, muitos ambientes de trabalho operam como se fôssemos.
A psicanálise contribui para essa reflexão ao apontar que o sofrimento não é apenas resultado de fatores externos, mas também da forma como o sujeito se relaciona com as exigências. Em muitos casos, há uma identificação com o ideal de produtividade: a pessoa passa a medir seu valor pessoal a partir do desempenho profissional. Quando não atinge as expectativas — próprias ou alheias — instala-se a sensação de fracasso, inadequação e insuficiência.
Além disso, em muitos locais de trabalho, ocorre a comunicação violenta, assédio moral ou ausência de reconhecimento e esses fatores tendem a intensificar o sofrimento psíquico. O que adoece o funcionário não é apenas o excesso de trabalho, mas também a falta de sentido, de escuta, de respeito e a cobrança constante. A invisibilidade emocional no contexto profissional é um dos fatores mais corrosivos para o equilíbrio mental.
Outro aspecto relevante é a dificuldade de estabelecer limites. Em um cenário marcado pela hiperconectividade, o trabalho ultrapassa barreiras físicas e invade o tempo pessoal. Mensagens fora do expediente, demandas urgentes e a expectativa de disponibilidade constante impedem o descanso psíquico. Sem esse espaço de pausa, o organismo permanece em estado de alerta contínuo, favorecendo quadros de ansiedade, irritabilidade e exaustão.
Reconhecer que o trabalho pode adoecer a mente é um passo importante — mas não é suficiente. É necessário promover mudanças tanto no nível individual quanto coletivo. Do ponto de vista pessoal, implica desenvolver maior consciência sobre os próprios limites, aprender a dizer “não” quando necessário e buscar apoio profissional quando o sofrimento se torna persistente.
No entanto, responsabilizar apenas o indivíduo seria repetir a lógica que contribui para o adoecimento. As organizações também precisam assumir seu papel, criando ambientes mais saudáveis, incentivando o diálogo, respeitando o tempo de descanso e reconhecendo que a produtividade depende de pessoas emocionalmente equilibradas.
Cuidar da saúde mental no trabalho não é um luxo, nem um sinal de fraqueza — é uma necessidade. Afinal, quando o trabalho adoece a mente, não é apenas o indivíduo que sofre, mas toda a estrutura que depende dele.
Sugestão para refletirmos: A pergunta mais importante não é “como produzir mais?”, mas “a que custo estamos produzindo?”.
Sou Clariana Grosso, psicóloga clínica, realizo atendimentos utilizando a abordagem psicanalítica há mais de 20 anos.
Se você está passando por alguma dificuldade no trabalho, precisando entender melhor o que está acontecendo, me manda mensagem através do whatsapp, terei prazer em ajudar você.



