Por Daniela Gurgel
@danigurgel.psicanalista
Sabe aquele cansaço que parece não passar?
Você deita, tenta descansar, mas quando acorda sente aquele peso no corpo, uma espécie de esgotamento físico acompanhado de desânimo, irritabilidade, frustração, distanciamento emocional, choro, insônia, autocrítica e em alguns casos até medo de enfrentar o dia.
A sensação que você carrega é de alguém que está sempre no limite. Essa sensação que a princípio parece estar associada a uma rotina intensa, sinaliza uma exaustão emocional.
Embora carregue esse nome de peso, “exaustão emocional”, ela começa de forma silenciosa com simples hábitos e falas do tipo “deixa comigo”, “dou conta sozinho”, “deixa pra lá”, “não me importo”, “deixa que eu faço” …
Esses hábitos vão se tornando rotina e se propagando aos poucos, ao ponto de gerar um esgotamento emocional tão intenso, que você acaba perdendo as forças e não dando mais conta de si.
E a triste notícia, é? Vai ganhando proporções avassaladoras, algo que vai além do sustentar e que se transforma em mania de suportar.
Na psicanálise, esses sinais são evidências de que há muita coisa sendo guardada, reprimida, ignorada e até mesmo adiada. Freud deixava bem claro que o que não processamos, volta em forma de sintomas de angústia ou exaustão.
E verdade seja dita…
Há muita gente cansada não pelas tarefas que realiza, mas pelas situações que sustenta. Há quem insiste ou se sente na obrigação de sustentar relações tóxicas e abusivas, de se moldar o tempo todo para agradar ou caber no mundo de alguém, de ter que ser forte ao ponto de engolir tudo para ser aceito no meio em que vive e outras inúmeras situações que geram desgaste emocional progressivo.
A psicanálise se posiciona diante dessa exaustão, abrindo um espaço para que você fale, compreenda e acima de tudo processe o que tem te levado a sustentar algo desgastante o tempo todo. Esse entendimento vai te proporcionar um retorno de si, uma reconexão interior onde você possa sair do estágio de suportar para o estágio de se escutar e, a partir desse ponto retomar o desejo e a coragem de estabelecer suas próprias escolhas.
Enxergue a exaustão emocional como uma alerta de que você foi forte até onde aguentou. Agora é hora de parar, se escutar, pedir ajuda e acima de tudo recalcular sua rota de vida.



