Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
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Em tempos de Copa do Mundo, é comum vermos pessoas comentando cada lance da partida. Tem quem elogie as escolhas do técnico. Tem quem discorde das substituições. Tem quem tenha certeza de que faria diferente.
No futebol, os palpites fazem parte da torcida.
Na parentalidade também.
Quando uma criança chega à família, e mesmo ao longo de seu crescimento, surgem opiniões sobre praticamente tudo. Como alimentar, como educar, qual escola escolher, quanto colo oferecer, como lidar com birras, quando estabelecer limites, quanto tempo permitir nas telas e tantas outras decisões do dia a dia.
Muitas dessas opiniões vêm de pessoas que amam a criança e desejam ajudar. Avós, tios, amigos e familiares costumam compartilhar experiências com a intenção de contribuir.
O problema não está no conselho em si.
O desafio surge quando a opinião do outro passa a ocupar mais espaço do que a confiança dos pais em suas próprias escolhas.
“Na minha época era diferente.”
“Com meus filhos eu fiz assim.”
“Você está acostumando mal.”
“Você precisa ser mais firme.”
“Você precisa ser mais flexível.”
Em algum momento, muitos pais percebem que, independentemente da decisão tomada, sempre haverá alguém que faria diferente.
E isso pode gerar insegurança, culpa e a sensação de estar sendo constantemente avaliado.
A ciência tem mostrado que a chamada autoeficácia parental, ou seja, a confiança dos pais em sua capacidade de cuidar e tomar decisões em relação aos filhos é um fator importante para o bem-estar familiar. Pais que se sentem apoiados e respeitados tendem a desenvolver mais segurança para lidar com os desafios da parentalidade.
Isso não significa que eles não terão dúvidas.
Significa apenas que conseguem atravessar essas dúvidas sem perder a confiança em si mesmos. Por outro lado, críticas constantes, julgamentos ou interferências excessivas podem aumentar a ansiedade e dificultar esse processo de construção da parentalidade.
Apoiar não é assumir o comando.
Apoiar é estar disponível sem desautorizar.
É compartilhar experiências sem transformá-las em regras.
É compreender que novas gerações têm acesso a novos conhecimentos, novas pesquisas e novas formas de educar.
É reconhecer que aquilo que funcionou para uma família pode não ser a melhor escolha para outra.
Pais não precisam de perfeição.
Precisam de espaço para aprender.
Precisam de liberdade para fazer ajustes ao longo do caminho.
Precisam de acolhimento quando erram e de incentivo para continuar tentando.
Assim como acontece em uma partida de futebol, a torcida tem um papel importante. Ela apoia, incentiva e acompanha o jogo. Mas quem está em campo é quem toma as decisões a cada lance.
Na parentalidade não é diferente. Os pais podem ouvir opiniões, considerar sugestões e aprender com a experiência de outras pessoas. Mas são eles que conhecem a realidade da sua família, as necessidades dos seus filhos e os desafios que enfrentam diariamente.
A melhor rede de apoio não é aquela que assume o controle do jogo.
É aquela que permanece ao lado do campo, oferecendo suporte, respeito e confiança para que os pais possam construir, à sua maneira, a própria história.
Como psicóloga perinatal, acompanho mulheres, homens e famílias em diferentes fases da parentalidade. Cuidar da saúde mental também passa por fortalecer a confiança nas próprias escolhas e construir relações mais saudáveis com aqueles que fazem parte da rede de apoio. Afinal, ninguém precisa jogar sozinho, mas toda família precisa ter autonomia para conduzir sua própria partida.
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



