*Por Carla Perin
@cacaperin
Quem nunca ouviu a expressão “agosto é o mês do cachorro louco”?
Todos os anos, quando agosto chega, essa frase volta a circular entre amigos, nas redes sociais e até nas conversas de consultório veterinário. Mas será que existe algum fundamento científico por trás dessa crença?
A resposta é: sim e não.
A origem da expressão está relacionada à raiva, uma doença viral grave que afeta o sistema nervoso dos mamíferos, incluindo cães, gatos e seres humanos. No passado, principalmente antes das campanhas de vacinação, era comum observar um aumento dos casos de raiva em determinadas épocas do ano. Como agosto coincide com o período reprodutivo de muitos cães, havia maior circulação de animais pelas ruas, disputas entre machos e aumento das mordidas, facilitando a transmissão da doença. Com isso, criou-se a fama de que agosto seria o “mês do cachorro louco”. Felizmente, a realidade mudou. Graças às campanhas de vacinação e aos programas de controle da raiva, a doença tornou-se muito mais rara em cães no Brasil. Hoje, quando um cão apresenta mudanças bruscas de comportamento, agressividade ou alterações neurológicas, existem diversas outras doenças que também precisam ser consideradas. Nem todo animal agressivo está com raiva. Ainda assim, a vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção e proteção da saúde animal e humana. Por isso, qualquer mudança repentina merece avaliação de um médico-veterinário. Nunca se deve concluir que um animal está com raiva apenas porque ficou agressivo.
Os sinais podem variar, mas costumam incluir:
mudanças repentinas de comportamento;
agressividade incomum;
dificuldade para engolir;
salivação excessiva;
alterações na vocalização;
falta de coordenação dos movimentos;
paralisia progressiva.
É importante lembrar que esses sinais também podem ocorrer em outras doenças neurológicas. Mesmo com a redução dos casos, a raiva ainda existe e continua sendo uma doença extremamente grave. Por isso, manter a vacinação em dia, evitar contato com animais silvestres e procurar atendimento veterinário diante de qualquer suspeita são atitudes fundamentais. Você sabia que o nome “cachorro louco” surgiu porque os cães acometidos pela raiva apresentavam alterações neurológicas intensas, parecendo desorientados e agressivos? Hoje sabemos que eles não estavam “loucos”. Estavam gravemente doentes. Felizmente, graças ao avanço da Medicina Veterinária e às campanhas de vacinação, essa realidade mudou. E talvez agosto deva ser lembrado não como o “mês do cachorro louco”, mas como um momento para reforçarmos a importância da prevenção, da vacinação e dos cuidados responsáveis com nossos animais.
Você sabia?
A raiva é uma doença fatal, mas pode ser prevenida por vacinação.
Cães, gatos, morcegos e outros mamíferos podem transmitir o vírus.
A vacinação protege não apenas os animais, mas também toda a comunidade.
Nem todo cão agressivo está com raiva. Mudanças de comportamento sempre precisam ser avaliadas por um médico-veterinário.
Carla Perin
Médica Veterinária Sistêmica| Terapeuta Multiespécie



