Por Dra Thayse Santos
@dra.thaysesantos
Talvez você esteja percebendo mais fios no ralo. Talvez tenha notado que seu cabelo está ficando mais fino. Ou talvez tenha começado a reparar que a linha do cabelo está mudando. E existe uma pergunta importante: você sabe por quê?
“Doutora, meu cabelo está caindo muito!” Essa é uma queixa bastante comum — tanto entre mulheres quanto entre homens. Mas nem sempre o primeiro sinal de um problema capilar é uma grande quantidade de fios caindo. Às vezes, ele aparece de maneira muito mais discreta. O cabelo começa a perder volume. Os fios ficam mais finos. O couro cabeludo começa a aparecer mais. A risca do cabelo parece mais larga. A linha frontal começa a recuar. Ou aquela “entradinha” que sempre esteve ali parece estar aumentando. E é justamente aí que muita gente espera. Espera cair mais. Espera aparecer uma falha. Espera ficar evidente.
Só que esperar pode não ser a melhor estratégia. Nem toda queda de cabelo é igual.
O ciclo do cabelo pode ser influenciado por inúmeros fatores: genética, alterações hormonais, doenças, deficiências nutricionais, medicamentos, estresse, mudanças importantes no organismo e condições específicas do couro cabeludo. Nos homens, a predisposição genética pode levar ao afinamento progressivo dos fios e à retração da linha frontal, característica muito conhecida da alopecia androgenética. Nas mulheres, também pode ocorrer afinamento e redução da densidade dos fios, além de outras formas de queda capilar que precisam ser diferenciadas.
E existe ainda uma situação que merece atenção especial: a tração. Sabe aquele rabo de cavalo muito apertado? Aquele coque preso com força todos os dias? Tranças, extensões, apliques ou outros penteados que mantêm os fios constantemente tensionados? A tração repetida pode provocar danos aos cabelos e, em determinadas situações, contribuir para uma condição conhecida como alopecia por tração. Ou seja: às vezes, aquilo que parece apenas um hábito de beleza pode estar participando do problema.
E aqui está o ponto mais importante: queda de cabelo não é um diagnóstico. É um sinal.
Por isso, simplesmente comprar vitaminas, trocar o shampoo ou começar a usar algum produto indicado nas redes sociais pode não resolver a causa. Antes de pensar em tratar, precisamos entender o que está acontecendo.
Como está o couro cabeludo? Como está a densidade dos fios? Existe afinamento? A linha capilar está realmente recuando? Existe padrão familiar? Há sinais de inflamação? Existe relação com penteados ou tração? Houve alguma mudança recente no organismo? São perguntas que ajudam a transformar uma queixa em uma investigação.
Uma avaliação capilar individualizada pode ajudar a identificar o padrão da alteração, investigar possíveis causas e definir, quando indicado, um plano de cuidado adequado para você. E talvez esse seja o primeiro passo para preservar aquilo que você ainda tem — e cuidar melhor daquilo que deseja recuperar. Se você percebeu uma mudança no seu cabelo, não espere a queda ficar evidente para procurar ajuda. Às vezes, o melhor momento para começar a cuidar é justamente quando você percebe que alguma coisa mudou.
Dra. Thayse Santos é médica pós-graduada em Dermatologia pela Sanar Pós, com atuação em estética médica, beleza e qualidade de vida. Une ciência, cuidado individualizado e valorização da naturalidade em sua prática.
Nesta coluna, traduz a estética médica para uma linguagem clara e acolhedora, trazendo informação, reflexão e cuidado para quem deseja se sentir bem na própria imagem.



