Por Antonio Junior
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RESUMO
Este artigo discute a influência das expectativas docentes sobre a experiência escolar, com atenção às desigualdades raciais e aos processos de aprendizagem. Analisa-se como oportunidades de participação, feedbacks e interpretações de comportamento podem ampliar ou restringir possibilidades de desenvolvimento. Defende-se uma prática pedagógica baseada em altas expectativas acompanhadas de suporte, contextualização e enfrentamento de vieses.
Palavras-chave: Expectativa docente; Aprendizagem; Racismo; Prática pedagógica; Neuropsicopedagogia.
Introdução
A relação entre professor e estudante não se limita à transmissão de conteúdos. As expectativas, os feedbacks, as oportunidades de participação e a maneira como determinados comportamentos são interpretados podem influenciar a experiência escolar. O olhar do professor participa da construção do ambiente em que o estudante aprende.
Expectativas e oportunidades
Expectativas positivas podem favorecer oportunidades de aprendizagem quando acompanhadas de estímulos, desafios adequados e feedbacks construtivos. Por outro lado, expectativas reduzidas podem limitar oportunidades antes mesmo que o estudante demonstre aquilo que é capaz de realizar.
Uma escola comprometida com a equidade precisa trabalhar com altas expectativas e suporte. Esperar que todos aprendam não significa ignorar diferenças individuais; significa oferecer condições diferenciadas para que cada estudante desenvolva suas potencialidades.
Vieses e desigualdade racial
Essa questão é especialmente relevante quando analisamos desigualdades raciais. Estudantes negros podem ser submetidos a interpretações diferentes para comportamentos semelhantes quando estereótipos e vieses implícitos influenciam a percepção dos adultos. Estudos recentes sobre racismo e educação apontam que discriminações cotidianas e expectativas reduzidas podem interferir nas relações escolares e na aprendizagem. (SANTOS, 2025).
A educação brasileira possui marco legal específico para a valorização da história e cultura afro-brasileira, por meio da Lei nº 10.639/2003, posteriormente ampliada pela Lei nº 11.645/2008. (BRASIL, 2003; BRASIL, 2008).
Contribuições neuropsicopedagógicas
Sob a perspectiva neuropsicopedagógica, essas experiências podem repercutir na motivação, na autoestima acadêmica e no envolvimento com a aprendizagem. O estudante constrói progressivamente percepções sobre sua própria capacidade a partir de experiências de sucesso, fracasso, reconhecimento e rejeição.
O professor não determina sozinho o desenvolvimento de uma criança ou adolescente. Entretanto, sua maneira de olhar, interpretar e responder ao estudante pode ampliar ou restringir oportunidades de aprendizagem.
Considerações finais
Educar também significa aprender a olhar. Um olhar que reconhece potencialidades, identifica necessidades e evita estereótipos pode transformar a experiência escolar. Quando expectativas são acompanhadas de oportunidades reais, a escola deixa de apenas medir capacidades e passa a participar ativamente de seu desenvolvimento.
No próximo encontro falaremos sobre: Identidade racial também aprende: Desenvolvimento, pertencimento e construção do sujeito.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 1996.
BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394/1996 para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira. Brasília, DF: Presidência da República, 2003.
BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394/1996, modificada pela Lei nº 10.639/2003, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Brasília, DF: Presidência da República, 2008.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Interseccionalidades das desigualdades raciais e socioeconômicas na perspectiva neuropsicológica: entrevista com o Grupo de Trabalho de Neuropsicologia do Conselho Federal de Psicologia. Psicologia: Ciência e Profissão, 2025.
LISBOA, Cristiane Almeida; SOUZA JÚNIOR, Antonio Cordeiro de. A mulher negra como protagonista na interseção entre políticas públicas e neuropsicopedagogia: caminhos para a equidade e inclusão. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, São Paulo, v. 12, n. 1, 2026.
SANTOS, Bianca Cristina Garcia. O impacto do racismo no desenvolvimento da aprendizagem: o papel do/a psicopedagogo/a institucional. 2025. Monografia de Especialização – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2025.
Antonio Junior é Mestre e Doutorando em Educação, neuropsicopedagogo, especialista em ABA para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), contador e escritor.



