Por Dr. Julio Cesar
@nagashimajulio
Na última semana, vivi uma situação que nenhum médico-veterinário gosta de enfrentar. Atendi um cão que, infelizmente, não resistiu às complicações da cinomose. Depois desse atendimento, conversei com colegas da nossa região e também de outros estados. Muitos relataram uma percepção semelhante: casos de cinomose têm aparecido novamente na rotina das clínicas veterinárias.
Não podemos afirmar que exista um aumento em todo o país sem dados oficiais. Porém, essa realidade reforça um alerta importante: a cinomose nunca deixou de existir e continua sendo uma das doenças mais graves que podem atingir os cães.
Talvez você já tenha ouvido alguém dizer que determinado cachorro está com a “doença que cai as cadeiras”. Esse é um nome popular muito conhecido, utilizado porque alguns cães, quando a doença atinge o sistema nervoso, passam a apresentar dificuldade para caminhar, falta de equilíbrio e podem perder os movimentos das patas. Mas é importante entender que esses sinais costumam aparecer quando a doença já está em um estágio mais avançado.
Como acontece o contágio?
A cinomose é causada por um vírus altamente contagioso. A transmissão acontece principalmente pelo contato com secreções de cães doentes, como saliva, secreção nasal e ocular e ainda ficando suspenso no ar. Filhotes são os mais vulneráveis, principalmente quando ainda não completaram o protocolo vacinal. Porém, cães adultos que não recebem os reforços anuais da vacina também podem adoecer.
Um erro bastante comum é acreditar que apenas cães que passeiam na rua correm risco. Na realidade, o vírus pode chegar até dentro de casa por meio do contato indireto com outros animais, objetos contaminados e até mesmo em locais onde circulam cães infectados.
Quais são os primeiros sinais?
No início, a cinomose pode parecer uma simples gripe.
O cão pode apresentar:
febre;
falta de apetite;
secreção nos olhos;
secreção no nariz;
tosse;
apatia.
É justamente por isso que muitos tutores demoram para procurar atendimento veterinário.
Se a doença evoluir, outros órgãos podem ser afetados e, em alguns casos, o vírus alcança o sistema nervoso, provocando tremores, alterações na coordenação dos movimentos, convulsões e dificuldade para caminhar. Infelizmente, alguns animais que sobrevivem podem permanecer com sequelas neurológicas permanentes.
A prevenção continua sendo o melhor caminho
Existe uma excelente notícia: a cinomose pode ser prevenida. A vacinação continua sendo a forma mais segura e eficaz de proteger os cães contra essa doença.
Muitos tutores acreditam que, por seu animal viver dentro de casa ou por nunca sair para passear, a vacinação pode ser deixada de lado. Esse é um pensamento perigoso. A proteção oferecida pela vacina precisa ser mantida ao longo da vida, conforme orientação do médico-veterinário.
Não espere os sinais piorarem
Se seu cão apresentar qualquer alteração de comportamento, secreções, febre ou falta de apetite, procure atendimento veterinário o mais rápido possível. Esperar para ver “se melhora sozinho” pode significar perder um tempo precioso.
Um compromisso de amor
A medicina veterinária evoluiu muito, mas algumas doenças continuam representando um grande desafio. A cinomose é uma delas. Por isso, deixo um convite a todos os tutores: aproveite esta semana para conferir a carteira de vacinação do seu cão.
Às vezes, um simples reforço vacinal pode representar muitos anos de vida ao lado daquele amigo que faz parte da família. Porque proteger quem nos oferece amor todos os dias é, sem dúvida, uma das maiores demonstrações de carinho que podemos ter.
Julio Cesar é Médico Veterinário, especialista em Estética Animal, palestrante e terapeuta holístico. Atua na promoção da saúde e do bem-estar animal com foco em medicina preventiva, comportamento e orientação de tutores, levando informação de forma simples e acessível para fortalecer o vínculo entre as famílias e seus pets.



