Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
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Existe uma primeira vez que quase toda mãe enfrenta.
A primeira vez que precisa deixar o filho aos cuidados de outra pessoa.
Pode ser com o pai, com os avós, com uma babá, na creche ou na escola.
Para quem observa de fora, pode parecer apenas uma mudança de rotina.
Mas, para muitas mães, esse momento desperta emoções intensas.
Surge a culpa.
O medo de que o bebê chore.
A preocupação de que ninguém consiga entendê-lo como ela.
A insegurança sobre ter tomado a decisão certa.
E, muitas vezes, um pensamento silencioso: “Será que ele vai precisar menos de mim?”
Esses sentimentos são mais comuns do que imaginamos.
Ao longo da gestação e dos primeiros meses de vida, é natural que a mãe desenvolva um vínculo muito intenso com o bebê. Compartilhar esse cuidado pela primeira vez representa uma mudança importante, tanto para a criança quanto para ela.
Sentir tristeza, ansiedade ou um aperto no coração não significa que a decisão foi errada.
Significa apenas que existe um vínculo sendo vivido com muito amor.
Ao mesmo tempo, é importante lembrar que permitir que outras pessoas participem dos cuidados também pode ser uma experiência saudável.
O bebê amplia suas possibilidades de vínculo.
A mãe recupera espaços importantes da própria identidade.
E a família fortalece sua rede de apoio.
Na prática clínica, e com base na Terapia Cognitivo-Comportamental, podemos observar que, diante de situações novas, nossa mente tende a imaginar cenários negativos como forma de tentar nos proteger.
“Ele não vai ficar bem.”
“Vai pensar que foi abandonado.”
“Ninguém vai cuidar dele como eu.”
Esses pensamentos surgem automaticamente, mas nem sempre representam a realidade.
Um exercício simples pode ajudar.
Pegue uma folha de papel e divida em duas colunas.
Na primeira, escreva: “O que meu medo está dizendo?”
Na segunda: “Quais evidências reais eu tenho?”
Pergunte a si mesma:
A pessoa que ficará com meu filho é alguém de confiança?
Meu bebê estará em um ambiente seguro?
Existe algum fato concreto que confirme esse medo ou estou antecipando uma possibilidade?
Esse exercício não elimina a saudade nem faz desaparecer a emoção.
Mas ajuda a diferenciar o que é um medo compreensível daquilo que a ansiedade está tentando prever antes mesmo que aconteça.
Compartilhar os cuidados não diminui o amor entre mãe e filho.
O vínculo é construído na presença, na segurança e na constância da relação, não na exclusividade.
Se você está vivendo esse momento, seja gentil consigo mesma.
Assim como seu filho está aprendendo a confiar em outras pessoas, você também está aprendendo a confiar que ele pode ser cuidado, acolhido e amado por uma rede que caminha ao lado da sua família.
Como psicóloga perinatal, acompanho mulheres nas diferentes fases da maternidade e compreendo que cada nova etapa traz alegrias, mas também desafios emocionais. Cuidar da saúde mental é reconhecer que sentimentos como medo, culpa e insegurança não fazem de você uma mãe ruim. Fazem de você uma mãe que ama profundamente e que, aos poucos, também aprende a crescer junto com o seu filho.
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



