Por: Nutricionista Davi Mascarenhas, Instagram: @davinutricionista
Uma das recomendações gerais acerca de alimentação saudável é evitar o consumo de alimentos ultra processados, devido a seus altos teores calóricos e baixos valores nutricionais. Dessa forma, alimentos ultra processados são baratos, práticos, com alta densidade energética e com quantidades mínimas de micronutrientes necessários ao adequado funcionamento corporal. Nesse sentido, sabendo que o aumento da obesidade ocorreu com o aumento concomitante do consumo de industrializado, foi publicado um estudo em 2019, na revista Cell Metabolism, acerca do consumo de alimentos industrializados e seus impactos sobre o consumo alimentar. Nesse estudo, 10 homens e 10 mulheres foram designados a receber dois tipos de dietas, a dieta processada e a não processada por 14 dias. Todos os participantes receberam ambas as dietas, totalizando 28 dias de estudo. Durante cada fase de dieta, os participantes receberam três refeições diárias (todos os alimentos foram fornecidos e os participantes permaneceram internados por 28 dias), sendo instruídos a consumir a quantidade desejada, sem restrições. Dessa forma, os participantes receberam três refeições diárias compostas por alimentos processados durante um período de 14 dias, seguido de uma dieta não processada por 14 dias, ou vice-versa.
Os resultados desse estudo mostram que a ingestão energética foi em média 500 kcal por dia maior durante a dieta processada e esse aumento foi resultante principalmente da ingestão de carboidratos e de lipídeos. Sabe-se que a proteína é o principal macronutriente responsável pela saciedade, logo, a diminuição da sua ingestão, na dieta processada, pode ter sido um dos fatores pelo qual os participantes aumentaram sua ingestão calórica quando comparada a dieta não processada. Dessa forma, os participantes ganharam 0,9 kg na dieta processada e perderam 0,9 kg na dieta não processada, com um aumento de 0,4 kg de gordura na dieta processada e perda de 0,3 kg de gordura na dieta não processada.
Por último, não foi observado diferença entre as dietas para os exames de sensibilidade à insulina e de glicemia. Entretanto, esse fato pode ter sido pelo curto período de dieta (14 dias) e pelo nível de atividade física dos participantes, uma vez que eles realizavam 1h de exercícios diários e sabe-se que o exercício pode amenizar os efeitos deletérios que uma alimentação desequilibrada pode ocasionar.
Portanto, podemos concluir que, de fato, alimentos processados contribuem para uma maior ingestão energética e, consequentemente, para o maior ganho de gordura corporal. Esses alimentos, na grande maioria das vezes, apresentam grandes quantidades de carboidratos, gorduras saturadas e pouca fibra. A combinação de carboidrato e gordura torna o alimento mais palatável e a deficiência de fibras em menor poder sacietogêno. Dessa forma, embora não haja problemas em consumi-los esporadicamente, não é interessante tê-los como parte primordial da dieta. As recomendações de priorizar alimentos in natura, aumentar o consumo de frutas e vegetais, consumir grãos integrais, oleaginosas e boas fontes de gorduras continua sendo válida e deve nortear nossas escolhas alimentares para o adequado funcionamento do organismo e para o aumento da longevidade.
Referência: EBOOK DUDU HALUCH BIOQUIMICA DO EMAGRECIMENTO.



