Por Gilanio Calixto.
Neste artigo de hoje relato sobre um tema muito constante na Vida de muitos e muitas, diversas familias vivem hoje o dilema de presenciar seus pais com o famoso “ blackout mental” – O Alzheimer é mais do que uma doença da memória — é uma transformação silenciosa que invade lares, mexe com afetos e altera papéis. Aos poucos, aquele pai ou aquela mãe que sempre foi a referência de cuidado, força e sabedoria começa a se perder nas lembranças, e os filhos, que antes eram cuidados, passam a cuidar. É nesse momento que a vida dá uma reviravolta: os filhos se tornam pais.
Ver quem nos deu a vida esquecer-se de detalhes simples, de rostos familiares ou até mesmo de seu próprio nome, é uma das experiências mais dolorosas da existência humana. O Alzheimer não afeta apenas quem o carrega, mas toda a família, que precisa redescobrir a paciência, o amor e a resiliência diariamente.
É preciso reaprender a conviver com silêncios, com perguntas repetidas, com olhares que parecem distantes. Mas também é nesse processo que nascem momentos de rara beleza: um sorriso inesperado, uma memória que ressurge por um instante, um gesto de carinho que mostra que o amor, mesmo quando a mente falha, continua existindo no coração.
O desafio de cuidar é enorme. Exige renúncia, força emocional e, muitas vezes, sacrifícios pessoais. Porém, é também uma oportunidade de retribuição. Os filhos que hoje estendem a mão, oferecem o prato de comida, dão o banho ou ajeitam os travesseiros estão, de certa forma, devolvendo o cuidado recebido na infância. É a vida em seu ciclo mais profundo e verdadeiro: o amor que um dia foi recebido, agora é devolvido com ternura.
Quando os filhos viram pais, descobrem que a essência da família não está apenas na presença física, mas na capacidade de cuidar uns dos outros. O Alzheimer rouba memórias, mas não consegue apagar a história de amor construída ao longo da vida. Cada gesto de cuidado é uma prova de que, mesmo diante do esquecimento, o vínculo permanece.
O Alzheimer nos ensina que ser família é muito mais do que compartilhar sangue: é compartilhar afeto, paciência e humanidade. É transformar a dor em compaixão. É aprender que, ainda que o tempo leve as lembranças, o amor nunca se apaga.
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Fonte da imagem: Internet – Vó da Pomba.
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Gilanio Calixto Velez
Advogado e Professor
Advogado especialista em Direito Previdenciário e em Direito de Familia
Professor Universitário em Direitos Humanos e Educação Emocional
Palestrante Motivacional e de Carreira Profissional
Fundador do Instituto de Desenvolvimento Humano – Crer & Ser – Metodologia e Projeto de Vida – Campina Grande – PB e Queimadas – PB
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