Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
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Ela ama o filho, mas se sente cansada.
Se culpa por perder a paciência.
Se compara com outras mães nas redes sociais.
Sente que nunca consegue fazer o suficiente.
E, em silêncio, começa a acreditar que o problema está nela.
Existe uma expectativa muito alta colocada sobre a maternidade. A ideia de que a mãe precisa dar conta de tudo, amar cada fase, saber exatamente o que fazer, manter a calma o tempo inteiro e ainda conseguir equilibrar trabalho, casa, relacionamento e vida pessoal.
Mas a maternidade real dificilmente se parece com essa imagem perfeita.
Muitas mulheres entram na experiência da maternidade acreditando que o chamado “instinto materno” será suficiente para guiá-las naturalmente em todos os momentos. Como se, ao se tornarem mães, automaticamente soubessem lidar com todas as demandas emocionais, físicas e práticas que chegam junto com um bebê.
Mas a maternidade também é aprendizado.
É tentativa.
É adaptação.
É construção de vínculo.
Nem toda mulher sente conexão imediata com o bebê, e nem com a maternidade. Nem toda mãe consegue viver esse processo de forma leve. E isso não significa falta de amor.
Ao mesmo tempo, as redes sociais e as campanhas idealizadas podem intensificar a sensação de inadequação. Recortes de rotinas organizadas, filhos sorrindo, mães produtivas e felizes o tempo inteiro podem fazer muitas mulheres acreditarem que estão falhando por não conseguirem viver a maternidade da mesma forma.
Mas comparar a própria vida com recortes cuidadosamente escolhidos da vida de outras pessoas pode ser emocionalmente adoecedor.
A verdade é que muitas mães estão cansadas. Algumas estão sobrecarregadas, emocionalmente exaustas e tentando sustentar tudo sem apoio suficiente. E, ainda assim, continuam acreditando que deveriam conseguir fazer mais.
Talvez o problema não seja você.
Talvez o problema seja a expectativa impossível colocada sobre as mães.
A ciência já mostra que a sobrecarga materna e a ausência de rede de apoio impactam diretamente a saúde mental da mulher, aumentando níveis de estresse, ansiedade e sofrimento emocional. Por isso, falar sobre maternidade real também é uma forma de cuidado.
Mães não precisam ser perfeitas para serem importantes na vida dos filhos. Crianças não precisam de mães impecáveis o tempo inteiro, precisam de vínculo, presença emocional, segurança e afeto possível dentro da realidade de cada família.
Acolher a maternidade real talvez seja justamente abandonar a ideia de perfeição.
Neste mês de maio, campanhas e movimentos em prol da saúde mental materna se tornam mais visíveis, trazendo reflexões importantes sobre a experiência emocional da maternidade. Mas esse cuidado não deveria existir apenas em datas específicas. A saúde mental das mães precisa ser olhada, acolhida e discutida o ano inteiro.
Porque por trás da maternidade existe uma mulher, e ela também precisa de cuidado.
Se a maternidade tem parecido mais pesada do que você imaginava, buscar ajuda psicológica também pode ser uma forma de cuidado. No meu trabalho como psicóloga perinatal, acolho mulheres em diferentes fases da maternidade desde a tentativa de engravidar ao pós-parto, oferecendo um espaço seguro para falar sobre culpa, sobrecarga, inseguranças, mudanças emocionais e tudo aquilo que muitas vezes é vivido em silêncio. Porque cuidar da saúde mental materna também é uma forma de cuidado com a mulher além da maternidade.
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



