Por Jéssica Monteiro Lima
@psi.jessicamonteirolima
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Você não precisa dar conta de tudo sozinha.
Existe uma expectativa silenciosa de que uma boa mãe consiga cuidar dos filhos, manter a casa organizada, conciliar trabalho e família, lembrar de todos os compromissos e ainda encontrar tempo para si. Quando não consegue, muitas vezes sente culpa, como se estivesse falhando em alguma coisa.
Mas será que sempre foi assim?
Ao longo da história, o cuidado com as crianças não se restringiu à mãe. Famílias extensas, vizinhos e comunidades participaram, de diferentes maneiras, da criação dos pequenos. A ideia de que uma mulher precisa dar conta de tudo sozinha está longe de ser uma condição natural da maternidade. Hoje, muitas famílias vivem longe dos parentes, enfrentam rotinas intensas e têm pouco apoio no dia a dia. Ao mesmo tempo, permanece a expectativa de que a mãe seja a principal responsável por quase tudo. Essa combinação pode gerar sobrecarga, solidão e sofrimento emocional.
Pesquisas mostram que contar com pessoas que oferecem apoio e acolhimento pode fazer diferença na saúde emocional da mulher após o parto. A Organização Mundial da Saúde também reforça que, para as crianças crescerem e se desenvolverem de forma saudável, é importante que mães, pais e outros cuidadores recebam apoio. Afinal, cuidar de uma criança também exige cuidado com quem cuida dela.
Uma mãe não precisa provar seu amor pelo nível de exaustão que consegue suportar. Pedir ajuda não diminui sua capacidade, e aceitar apoio não significa ser menos presente ou menos dedicada, mas existe uma diferença entre dizer a uma mãe que ela precisa de uma rede de apoio e ajudá-la a construir uma de verdade.
A rede pode começar com uma conversa sobre a divisão das tarefas com o parceiro, um familiar que possa acompanhar uma consulta, alguém que prepare uma refeição ou uma pessoa de confiança que fique com a criança enquanto a mãe descansa. Nem sempre será possível contar com uma grande comunidade, mas pequenos apoios concretos podem fazer diferença.
E quem deseja ajudar também pode trocar o “se precisar, me avise” por uma oferta mais específica: “Posso levar o jantar na terça-feira” ou “Quer que eu fique com as crianças enquanto você resolve isso?”. A maternidade não precisa ser uma experiência de solidão para ser uma experiência de amor.
Quero deixar a reflexão que você não precisa ser a mãe maravilha, que você possa refletir com carinho na minha mensagem e que te ajude a entender seus limites, reconhecer suas necessidades e permitir que outras pessoas participem do cuidado. Que você possa se cobrar menos, se olhar não como uma mulher que faz tudo, mas uma mulher que não precisa fazer tudo sozinha.
E encerro esta última coluna com gratidão. Desde março, compartilhar reflexões sobre gestação, maternidade, paternidade, perdas e saúde mental foi uma oportunidade de levar a Psicologia Perinatal para mais perto das pessoas e abrir espaço para conversas que merecem ser ouvidas. Agradeço ao Portal Som de Papo pela oportunidade de ser colunista e a cada pessoa que dedicou alguns minutos à leitura, compartilhou uma reflexão ou se reconheceu em alguma dessas palavras.
Levo comigo a certeza de que falar sobre saúde mental também é ampliar nossa maneira de cuidar uns dos outros. Que possamos construir uma maternidade com menos cobranças, mais presença e mais gente disposta a cuidar de quem cuida.
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



